O Banco de Portugal está cada vez mais pessimista quanto ao andamento da economia portuguesa, vê uma série de riscos internos e externos para as metas orçamentais e, por isso, pede mais medidas ao Governo para cumprir o défice. 

"No que se refere aos riscos internos, considerou-se a possibilidade de serem necessárias
medidas adicionais para cumprir os objetivos orçamentais assumidos pelas autoridades
nacionais, implicando um menor crescimento da procura interna face ao considerado
nas projeções".

A instituição que supervisiona a banca portuguesa, e que é liderada por Carlos Costa, antecipa também que as reformas estruturais podem perder "dinamismo" e que isso poderá ter um "impacto negativo" sobre a confiança dos empresários, penalizando a recuperação do investimento.

"Este quadro interage igualmente com a permanência de riscos sobre a estabilidade financeira em Portugal". Refere-se aqui o Banco de Portugal à inflação, decorrente do abrandamento da atividade a nível global e da manutenção das expetativas de uma baixa subida de preços em Portugal e na zona euro.

Depois, há riscos vindos de fora, entre eles que haja uma recuperação mais lenta da atividade económica, em particular nas economias de mercado emergentes, bem como uma evolução mais moderada dos fluxos de comércio internacional. Ora, as exportações portuguesas já começaram a ressentir-se no primeiro trimestre, contribuindo para o abrandamento da economia (Portugal só conseguiu criar mais 0,9% de riqueza no primeiro trimestre, tendo como objetivo para o conjunto do ano um crescimento de 1,8% do PIB).

O Banco de Portugal não acredita nesse objetivo que o Governo reafirma, tendo por isso voltado a cortar as previsões e, ao mesmo tempo, tendo emitido este alerta no mesmo boletim económico sobre a necessidade de o Governo fazer mais, aplicar mais medidas.