Os assessores financeiros do processo de privatização da TAP pediram mais um mês ao Governo para apresentarem a atualização da avaliação da empresa, disse hoje o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações.

«Entregaram-nos um documento preliminar. O documento final deverá ser entregue até final do mês de maio, pediram mais tempo, houve mais elementos que foi necessário recolher», explicou Sérgio Monteiro no final da cerimónia de assinatura do contrato para a construção do troço final do IC16 entre o Nó da Pontinha e a Rotunda de Benfica, em Lisboa.

«Pediram mais este tempo para atualizar estes dados e a partir daí estamos habilitados a tomar uma decisão e avançar ou não avançar» com a privatização, acrescentou.

A avaliação da TAP deveria ter sido entregue ao Governo no final de abril.

Sérgio Monteiro frisou que a empresa «vale mais este ano do que valia nos anos anteriores» e lembrou que «teve um resultado positivo» e «conseguiu mais do que compensar a reposição dos subsídios que tinham sido suspensos em 2012 e repostos em 2013».

«O resultado líquido da companhia aérea foi melhor em 2013 do que em 2012, mesmo com esse sobrecusto. Tivemos uma taxa de ocupação dos aviões maiores. O valor de receita por cada um dos lugares que foi vendido é também maior, o que significa que a empresa tem estado a gerar valor», afirmou.

Contudo, o governante defendeu que a TAP «podia gerar mais se tivesse um acionista com capacidade de a capitalizar».

«O Estado não tem capacidade, nem legalmente o pode fazer», indicou.

Fonte governamental disse à Lusa, a 16 de janeiro, que o Governo pediu aos assessores financeiros da privatização da TAP (Barclays Capital, Banco Espírito Santo de Investimento, Citi Bank e Crédit Suisse) uma atualização da avaliação da companhia aérea.

O secretário de Estado Sérgio Monteiro admitiu em março a hipótese de a privatização da TAP ser feita em bolsa, como aconteceu com os CTT, explicando não excluir «nenhum modelo» para a privatização da companhia aérea. A imprensa tem avançado que há novos interessados na companhia aérea, entre os quais o norte-americano Frank Lorenzo, antigo acionista e presidente da Continental Airlines, e Pais do Amaral.

O Governo recusou, em dezembro de 2012, a proposta de compra da TAP feita pelo grupo Synergy, detido pelo empresário colombiano Germán Efromovich, o único concorrente à privatização da companhia aérea nacional.

A venda está suspensa desde então e, no Orçamento do Estado para 2014, o Governo afirma que «continuará a monitorizar as condições do mercado, por forma a relançar o processo de privatização da TAP logo que estejam reunidas as condições propícias para o seu sucesso».

O negócio da aviação da TAP, a TAP S.A., registou um lucro de 34 milhões de euros em 2013, uma subida de 42% em relação a 2012, completando cinco anos consecutivos de resultados positivos.