O Banco Espírito Santo/Cabo Verde (BES/CV) alterou a denominação social para Banco Internacional de Cabo Verde (BICV), disse hoje à agência Lusa o presidente da instituição, que manterá o Novo Banco (NB) português como único acionista.

Pedro Cudell salientou que a nova designação não seguiu a intenção inicial do BES/CV, uma vez que já existe o Novo Banco em Cabo Verde, instituição de apoio ao microcrédito.

Garantindo que o BES/CV não sofreu «qualquer impacto» com o caso do BES português, o presidente do novo BICV assegurou que, no global, e ao longo de todo o processo, a instituição que lidera em Cabo Verde «até aumentou» o número de clientes.

«Vou dizer uma coisa que pode ser surpreendente: perdemos em várias unidades (internacionais), mas em Cabo Verde aumentamos o número de clientes», afirmou, garantindo que no BES/CV só houve a alteração da denominação social e que a equipa, até agora, é a mesma.

«Até agora, (mantém-se a equipa) toda. Só houve a mudança do nome. As pessoas fantásticas e a equipa profissional são as mesmas, as relações com as autoridades de Cabo Verde e em África (Ocidental - Guiné Conacri e Senegal) continuam as mesmas. A partir de agora é só continuar a andar para a frente», salientou.

Pedro Cudell adiantou que, para breve, será alterada a imagem do BES/CV para uma do BICV, entidade cujo novo nome já foi aprovado pelo Banco de Cabo Verde (BCV) e registada oficialmente no notário a 31 de outubro último.

«(O ex-BES e atual NB em Portugal) está a reequacionar, não no BICV, todas as unidades internacionais. Está-se a partir para um programa global, em que mais uma vez nada tem a ver com Cabo Verde, de reavaliação de todas as unidades e esperamos que até esteja terminada até ao final do ano» em curso, acrescentou.

Pedro Cudell garantiu que, em 2013, o BES/CV assumiu-se como terceiro maior banco comercial em Cabo Verde, perspetivando-se o mesmo para 2014, já como BICV, e assegurou que os rácios de sustentabilidade do banco encontram-se «lindamente».

Como primeira medida pública «oficial», o BICV ofereceu hoje 100 computadores à Universidade de Cabo Verde (UNI-CV), dando sequência à «velha tradição» do antigo Grupo Espírito Santo de apoiar as universidades e as escolas e valorizar os estudantes dos diferentes níveis de ensino.

«Achei que era oportuno e interessante, agora que mudamos a denominação social, ter uma atitude simpática para com Cabo Verde e nada melhor do que o fazer com os jovens que, amanhã, serão os empresários e os profissionais do país», concluiu.

Em Cabo Verde desde 2006, através de uma sucursal financeira no exterior, o BES inaugurou em julho de 2010 um banco universal de direito cabo-verdiano, o BES/CV, com um capital inicial de 13 milhões de euros, associando-se ao processo de internacionalização da praça financeira de Cabo Verde na região oeste-africana.

O BICV, tal como o BES/CV, é um banco de direito local, com sede na Cidade da Praia, virado para o apoio ao desenvolvimento económico, à internacionalização das empresas portuguesas e à promoção de parcerias com empresas cabo-verdianas.

Em julho deste ano, o banco central cabo-verdiano, garantiu que o BES-CV é uma instituição "muito bem capitalizada" e com níveis de rácios de capital «muito acima do que é exigido» legalmente.

«Todos os indicadores utilizados para avaliar o Banco apresentam níveis que dão conforto à entidade de Supervisão, o Banco de Cabo Verde (BCV). O BES-CV é uma instituição financeira com reduzida atividade creditícia, com elevado nível de liquidez e sem risco cambial», escreveu, então, numa nota, o BCV.