O Millennium BCP vai manter uma “super” disciplina financeira e na melhoria do negócio, e não tem intenção de fazer qualquer aumento de capital relacionado com o Novo Banco, disse o presidente executivo, Nuno Amado.

Amado frisou que o BCP “sempre disse que iria analisar a venda do Novo Banco mas apenas porque, pela sua dimensão relativa no sistema, não lhe cabia outra alternativa, senão perceber quais as vias possíveis”, acrescentando que “o BCP é super disciplinado e não está a ser equacionada por nós qualquer operação relacionada com o Novo Banco que implique aumentos de capital dos nossos acionistas”.

“Temos uma estratégia muito focada e disciplinada e que fique claro: não há nenhuma intenção de pedir capital aos accionistas, nem para fazer uma fusão por fusão, que até acho que não é um caminho viável, para ser sincero”, sublinhou.

Caso o Banco de Portugal decida vender o Novo Banco a um preço inferior aos 4,9 mil milhões de euros injetados pelo Fundo de Resolução em meados de 2014, tal penalizaria os bancos do sistema que são os contribuintes do Fundo de Resolução. Contudo, Nuno Amado recordou que o banco central já esclareceu que, nesse caso, as contribuições normais dos bancos seriam prolongadas por mais anos. “Mas, já hoje, estamos a pagar para o Fundo de Resolução um valor que provavelmente não seria diferente desse novo (valor)”, já que na conta de resultados do BCP “há uma contribuição extraordinária e uma contribuição normal para o Fundo de Resolução que conjugadas não devem ser muito diferentes daquela que teríamos no futuro, caso houvesse esse possível 'gap' com a venda do Novo Banco”.

ACÇÕES RECUPERAM

As ações do Millennium BCP subiram hoje 15,4%, revertendo parte da queda de 30% no espaço de uma semana, que segundo analistas se deveu à saída do título do MSCI Global Index e dos receios sobre a necessidade de reforço de capital se o BCP decidir avançar para a compra do Novo Banco.

O “efeito de queda foi preocupante, e o BCP está a monitorar, mas os investidores não devem recear o BCP porque o banco está razoavelmente preparado para fazer face ao seu futuro próximo e se há uma coisa que nós temos é disciplina”, destacou Nuno Amado. O líder do banco concorda que  para a recente queda das ações concorreram várias razões, entre as quais a saída do índice MSCI Global, mas espera “que a prazo voltemos a entrar nesse índice, é um objetivo que temos”.

Explicou que a questão do Banco Popular espanhol, que fez um inesperado aumento de capital, também terá pesado, mas “o Popular tem uma carteira de imobiliário muitíssimo maior do que a do BCP”, tendo havido “dúvidas em Portugal sobre o crédito em risco e malparado, o 'bad bank', e ainda quanto à qualidade do capital por causa dos ativos por impostos diferidos (DTA’s) garantidos pelo Estado”.

“A conjugação disto tudo fez com que tivesse havido um efeito vendedor da ação e de 'shorters' (vendas a descoberto) significativo. Penso que essas questões, em parte, estão ultrapassadas”, disse Nuno Amado.