O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), Edmundo Martinho, disse hoje que a decisão do investimento da instituição no capital da Caixa Económica no Montepio Geral deverá ser tomada até ao final do ano.

"Eu gostava que até ao final do ano tivéssemos uma decisão tomada” do “lado da Santa Casa, do lado da Associação Mutualista, em relação à alienação de uma parte das ações, para depois podermos avançar tranquilamente ao longo de 2018”, disse Edmundo Martinho aos jornalistas, à margem da cerimónia da sua tomada de posse como provedor da SCML.

Edmundo Martinho adiantou que o 'dossier Montepio' está “numa fase final da avaliação” por parte de uma entidade financeira e avançou que a participação que está prevista ocorrer será no máximo de “10% do capital da Caixa Económica”.

“Os dados que conhecemos apontam para uma estabilização da Caixa Económica, o que é muito positivo e que nos deixam expectativas importantes em relação àquilo que pode ser o futuro da Caixa Económica”, vincou.

Segundo o novo provedor, fica por definir o valor, as condições em que a entrada da Santa Casa possa ocorrer.

Edmundo Martinho contou que tem sido “uma premissa” das conversas com a associação mutualista que o investimento da Santa casa, “mais do que uma entrada” ou “impulso financeiro, seja um “reforço da economia social” e da governação da Caixa Económica.

O que está previsto é que a Santa Casa tenha “uma palavra a dizer nas diversas instâncias de governação da Caixa Económica”, adiantou.

O provedor explicou que “esta operação não tem nada a ver com uma perspetiva de curto prazo” e que “não é uma operação financeira”.

É uma operação que visa que a Santa Casa dê “um contributo àquilo que pode ser uma grande instituição da economia social”, reforçou.

Questionado sobre a entrada da Santa Casa no Montepio, o ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Vieira da Silva, disse que vê “com simpatia” que a “Misericórdia de Lisboa, como grande instituição que é muito próxima da economia social, faça esforços no sentido de ajudar a reforçar o setor da economia social”.

No caso desta decisão se concretizar, as duas instituições “saberão encontrar o equilíbrio”, porque são duas “instituições com grandes ramificações na sociedade portuguesa”, adiantou Vieira da Silva.

O ministro adiantou ainda que as decisões que a Santa Casa venha a tomar “serão bem fundamentadas”, uma vez que tem vindo a estudar este investimento ao longo dos últimos meses.