A produção de energia elétrica a partir de gás natural em Portugal atingiu um novo recorde histórico em agosto, aumentando 56% face ao mesmo mês de 2016, para os 2.061 gigawatt/hora (GWh), segundo dados da REN-Redes Energéticas Nacionais.

O consumo de gás natural manteve-se em agosto em “níveis elevados”, com uma variação global homóloga da 31% face a agosto de 2016, para os 6.661 GWh, cita a Lusa.

Até agosto, o consumo de gás natural apresentou uma variação acumulada de 37%, resultado de um crescimento de 143% no mercado elétrico e de 5,3% no mercado convencional.

Quanto ao consumo de energia elétrica, aumentou em agosto 0,2% face ao período homólogo do ano anterior, o que, segundo a REN, corresponde a uma subida de 2,4% se considerada a correção dos efeitos de temperatura e número de dias úteis.

“Esta diferença reflete o efeito da temperatura no período, que, embora registando valores próximos dos normais, ficou muito abaixo do verificado no mesmo mês do ano anterior”, explica.

No final de agosto, a variação acumulada do consumo de energia elétrica foi de +0,2%, ou +1% com correção de temperatura e dias úteis.

No mês em análise, o índice de produtibilidade hidroelétrica situou-se em 0,85 (média histórica= 1), enquanto na produção eólica o índice de produtibilidade “ficou praticamente em linha com o regime médio”, situando-se em 0,99.

Devido à “muito reduzida” produção hidroelétrica, as fontes renováveis asseguraram apenas 31% do consumo de eletricidade, a que acrescem as exportações.

Nas energias não renováveis, que abasteceram os restantes 69%, continuou a destacar-se a produção a gás natural que, tal como já tinha acontecido no mês anterior, voltou a estabelecer um novo máximo mensal, com 2.061 GWh (43% do consumo), enquanto as centrais a carvão abasteceram os restantes 26%.

A elevada utilização das centrais térmicas está associada à reduzida disponibilidade das fontes renováveis e ao saldo de trocas com o estrangeiro, que se manteve este mês fortemente exportador, equivalendo a 19% do consumo nacional”.

No acumulado de janeiro a agosto, o índice de produtibilidade hidroelétrica situou-se em 0,58 (média histórica= 1) e o índice de produtibilidade eólica em 0,99.

Neste período, a produção renovável abasteceu 41% do consumo + saldo exportador, com as centrais hidroelétricas a representarem 12% do consumo, as eólicas 22%, a biomassa 5% e as fotovoltaicas 2%.

A produção não renovável abasteceu os restantes 59% do consumo, com as centrais a gás natural a representarem 33% e as centrais a carvão 25%, sendo que o saldo exportador registado equivale a 9% do consumo nacional.