Os trabalhadores da Unicer de Matosinhos decidiram esta quarta-feira, em plenário, avançar para uma greve de uma hora em cada turno como forma de protesto contra o encerramento da fábrica de Santarém e o despedimento de mais de 100 funcionários.

“Não aceitamos qualquer tipo de despedimento e é para isso que vamos encetar esta luta que irá começar com uma hora de greve, podendo agravar depois se as pretensões dos trabalhadores não forem atendidas”, afirmou o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB).

Fernando Rodrigues falava no final de um plenário que reuniu cerca de 100 trabalhadores na unidade da Unicer de Leça do Balio, Matosinhos, e onde foi aprovada uma moção onde se refere que “nenhuma ação de protesto” será posta de parte.

A decisão de avançar para a greve será levada aos plenários agendados para quarta e quinta-feira nas unidades de Santarém, Miraflores e Tojal, pelo que a interrupção de uma hora de trabalho por turno poderá arrancar “na próxima semana”.

“Para já é uma hora em cada turno e nós vamos começar, depois de consultar os outros plenários, a executar essa ordem de greve”, realçou o sindicalista, garantindo que “se não se alterar a posição da empresa, os trabalhadores vão agravar as suas formas de luta”.

Em causa está o encerramento da unidade de Santarém e a dispensa de um total de 140 trabalhadores da empresa, 70 de Santarém e 70 afetos à estrutura central e de apoio.

Num comunicado hoje divulgado, a Unicer informa estar “empenhada, desde que tomou a decisão, em encontrar uma solução que minimize o impacto das medidas anunciadas junto dos trabalhadores”, pelo que irá assegurar a empregabilidade para metade dos 70 colaboradores afetos a Santarém através de 25 vagas na empresa FONT SALEM e 10 em mobilidade interna.

“Prevê-se assim um impacto efetivo junto de 105 pessoas, privilegiando a Unicer soluções individualmente acordadas”, indica o documento, onde é ainda referido que a decisão tomada pela empresa “apesar de difícil, é indispensável para garantir a sua sustentabilidade”.

Para o sindicalista, tal medida “não satisfaz os trabalhadores”, apelando por isso a que não aceitem “qualquer tipo de negócio com o seu posto de trabalho”.

Já o coordenador da Comissão de Trabalhadores da unidade de Leça do Balio destacou que “essas pessoas terão lugar assegurado no concorrente, que vai agora fabricar as marcas de refrigerantes” da Unicer, mas usufruindo dos salários que essa empresa pratica, que têm diferenças acentuadas relativamente aos valores da Unicer.

De acordo com Eduardo Andrade, os trabalhadores “estão prontos para a luta, estão prontos para abdicar de algum dinheiro do seu salário ao fim do mês, para lutar pelo seu posto de trabalho, pelo posto de trabalho do colega do lado e pelos 70 postos de trabalho da fábrica de Santarém, que não faz sentido estar fechada porque dá lucro”.

“O que importa salientar é que uma empresa que tem lucros, que recebe verbas do QREN, não pode despedir os trabalhadores, e é por aí que devemos ir e é por aí que segue a nossa luta e dos trabalhadores”, frisou o responsável na unidade de Leça do Balio, onde disse que mais de 25 pessoas já foram abordadas para rescindir contrato.