O presidente do banco BIC português Mira Amaral considerou esta quinta-feira que o Governo está "sujeito a uma inação estrutural" durante o mandato devido ao apoio parlamentar de "forças conservadoras", o que agravará os problemas de competitividade.

No Seminário "Orçamento do Estado 2016" promovido pelo Fórum para a Competitividade esta tarde em Lisboa, Mira Amaral afirmou que o Governo está "sujeito à inação estrutural" por estar ligado ao apoio parlamentar de "forças conservadoras" e que, por isso, não será capaz de fazer uma reforma do Estado.

"Se o anterior Governo não o fez, e tinha todo o enquadramento para o ter de fazer, este Governo vai sofrer de uma inação estrutural, o que trará problemas de competitividade", disse o banqueiro.

A posição foi corroborada pelo professor do Instituto Superior de Gestão e Economia (ISEG) Vítor Gonçalves, que também participou na conferência.

Anteriormente, o gestor e o professor tinham já concordado que o país não precisa de incentivos públicos ao consumo, uma crítica que tem sido feita ao novo Governo do PS.

"Não é de consumo que o país precisa, mas de investimento", defendeu Vítor Gonçalves, enumerando as áreas chave para investir: bens e serviços exportáveis, turismo de alto rendimento e infraestruturas (como uma ferrovia de mercadorias).

O professor do ISEG defendeu ainda a importância de "um ambiente de consenso político e social", lamentando que "estes primeiros dias de debate na Assembleia da República não vão nesse sentido".