O programa de compra de dívida do Banco Central Europeu poderá ser insuficiente para aumentar a inflação para o objetivo de cerca de 2%, estima o economista português Samuel da Rocha Lopes à Lusa.

«Se compararmos com o do Banco de Inglaterra, este programa de quantitative easing  (compra de dívida) na zona euro deverá aumentar a inflação para valores entre 0,5% e 1,5%, ainda assim longe do objetivo do BCE de estar perto dos 2%», disse o docente da universidade Nova de Lisboa.

Outros parâmetros poderão dificultar os resultados pretendidos, como «um lançamento mais tardio e já num momento de deflação, bem como um ambiente com muito menos estímulos fiscais, em comparação com os Estados Unidos da América e Reino Unido», enumerou.

A taxa de inflação anual da zona euro baixou, em janeiro, para -0,6%, face aos -0,2% de dezembro de 2014, segundo a estimativa rápida divulgada na sexta-feira pelo Eurostat, que atribui esta baixa à queda dos preços da energia (-8,9% face aos -6,3% de dezembro de 2014).

A 22 de janeiro, o BCE anunciou um programa de compra de ativos - dívida pública e privada - no valor de 1,14 biliões euros, com o objetivo de combater a deflação na zona euro e estimular a economia.