O presidente da comissão instaladora da instituição financeira de desenvolvimento (IFD), também designada de «banco de fomento», afirmou esta quarta-feira que esta vai procurar ser o «simétrico» da banca privada comercial, colmatando lacunas existentes no mercado.

Durante uma intervenção no seminário «Mercado de capitais e o financiamento da economia em Portugal», o presidente da comissão instaladora da IFD, Paulo de Azevedo, explicou que a instituição vai ter «de ocupar espaço que não está a ser ocupado pelo privado e se não está é porque [ao] risco de retorno os privados não querem concorrer».

«Ela aparece para colmatar determinadas falhas de mercado. Esta instituição tenta ser o simétrico relativamente ao comportamento das instituições bancárias privadas comerciais», afirmou Paulo de Azevedo, que realçou que tentar comparar a IFD ao alemão KfW é o equivalente a comparar uma equipa de futebol da Segunda Liga portuguesa ao Bayern Munique.

Quando questionado sobre o «poder de fogo» da IFD em termos de capacidade, o presidente da comissão instaladora afirmou «vai ser muito», acrescentando que terá «um montante significativo do ponto de vista dos fundos comunitários 2014-2020».

Paulo de Azevedo sublinhou que foram detetadas duas falhas principais no mercado, sendo a primeira uma «insuficiência de capitais permanentes ao nível das Pequenas e Médias Empresas (PME)» e a segunda ao nível do preço do financiamento.

Desta forma, o presidente da comissão instaladora da IFD recordou que uma PME portuguesa se financia a mais de 300 pontos base do que uma sua congénere num outro mercado europeu.

Assim, a utilização de fundos comunitários no âmbito da instituição deverá ser numa «lógica aditiva», ou seja «pretende-se que por cada unidade monetária que se possa colocar numa PME em financiamento tenha uma capacidade de arrasto de capitais privados num determinado rácio».