A Lituânia assume esta segunda-feira a presidência semestral da União Europeia, apontando entre as prioridades a união bancária e o mercado único de energia e excluindo que a alegada espionagem norte-americana afete as negociações comerciais com os Estados Unidos.

A Lituânia vai presidir a uma União Europeia (UE) já com 28 Estados-membros ¿ na sequência da adesão da Croácia ¿ e depois de ter sido alcançado um «acordo político» sobre o orçamento comunitário para o período 2014-2020 (que será votado no Parlamento Europeu na quarta-feira), pelo que a disponibilização dos fundos «a partir de 01 de janeiro» do próximo ano é outra das metas, adiantou hoje o embaixador lituano junto da UE, citado pela Lusa.

Raimundas Karoblis falava em Bruxelas, numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo irlandês, Rory Montgomery, durante a qual foi feito um balanço da presidência irlandesa (que decorreu no primeiro semestre desde ano) e apresentadas as prioridades da presidência do país báltico, que termina a 31 de dezembro.

O embaixador da Lituânia disse que a criação da união bancária - apontada como a solução para evitar um novo contágio dos bancos e crise da dívida -, os avanços no combate à evasão fiscal e a «implementação de um mercado único de energia» também estarão entre as prioridades da presidência de turno da UE.

Para a primeira vez que assume a presidência do Conselho da UE, a Lituânia escolheu como tema «Uma Europa credível, aberta e em crescimento», tendo definido também como metas o «crescimento e o emprego».

Outro dos dossiers que Vilnius terá em mãos será o acordo de livre comércio entre a UE e os Estados Unidos, mas Raimundas Karoblis considera que a polémica em torno da alegada espionagem norte-americana às instituições europeias não afetará as negociações, com início previsto para este mês.

Em resposta às questões dos jornalistas, o embaixador da Lituânia afirmou que a UE e os Estados Unidos são «aliados», mas disse que são necessárias «respostas oficiais» da parte norte-americana.

O embaixador da Irlanda, Rory Montgomery, apontou, por sua vez, o acordo político sobre o orçamento da UE para os próximos sete anos como a «grande conquista» da presidência irlandesa, afirmando que «não foi fácil» chegar a um entendimento.

Rory Montgomery destacou também o acordo alcançado em torno da reforma da Política Agrícola Comum (PAC) pós-2013 e a abertura das negociações com os Estados Unidos sobre o acordo de comércio.

Durante a presidência irlandesa foram também alcançados acordos para a criação do mecanismo único de supervisão bancário da zona euro e sobre as regras de futuros resgates bancários.

Estas últimas preveem que sejam bancos e credores ¿ e não os contribuintes ¿ a pagar a fatura em caso de liquidação de bancos em dificuldades, excluindo a possibilidade de recorrer aos depósitos inferiores a 100 mil euros.