A vulnerabilidade do setor bancário, assumida, inclusive, pelo Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, está a provocar uma derrocada nas ações, sobretudo do BCP que hoje desceram a mínimos de quatro anos.

Que a banca portuguesa continua a passar por uma fase de vulnerabilidade já é senso comum.

Ainda ontem, num artigo de opinião publicado no Negócios, o Governado do Banco de Portugal falava do tema.

"Há (...) o risco de termos bancos capitalizados para o volume de negócios que têm, mas com baixa rentabilidade e, por consequência, incapazes de crescer", afirmou Carlos Costa.

Uma incapacidade que, segundo o Governador, os tornará mais apetecíveis para potenciais compradores e mais expostos a quaisquer cenários de consolidação que possam vir a ocorrer na Europa.

Aparentemente, o BCP é uma das instituições para as quais o mercado está a olhar atentamente.

Esta quarta-feira o banco liderado por Nuno Amado cai quase 4% e vale menos de três cêntimos. O valor mais baixo em quatro anos.

De acordo com os analistas do Goldman Sachs, citados pelo Negócios, o aumento de capital do espanhol Banco Popular de 2,5 mil milhões de euros, anunciado na passada quinta-feira, reforçou os receios e virou as atenções do mercado para outros bancos que podem estar na mesma situação.

O Popular argumenta que o objetivo é melhorar “tanto os rácios de rentabilidade, como os níveis de solvência e de qualidade dos ativos”.

O documento do Goldman Sachs, referido pelo Negócios, diz que o timing do aumento de capital do Banco Popular foi uma "surpresa". E questiona-se sobre o que provocou essa decisão. "Foram as perspetivas para os testes de stress da Autoridade Bancária Europeia e do BCE no segundo semestre? Se o pensamento de muitos nos mercados – de que os testes de stress tiveram esse papel – provar ser correta, esperamos que se façam interpolações no sector".

"Para medir potenciais comparações entre o sector e o Banco Popular, corremos o rácio de Texas para os bancos que acompanhamos", explicam os analistas na nota citada pelo jornal.

O Goldman diz ainda que "os bancos mais expostos" a comparações com o Popular têm um rácio de Texas pelo menos três vezes superior à mediana do sector. E enumeram-nos. Além do BCP, destacam-se os italianos Monte dei Paschi, Banca Popolare de Milano, Banco Popolare, Banca Emilia Romagna e UBI Banca. O Bank of Ireland também integra esta lista.

A realidade mostra que a vulnerabilidade não é só portuguesa já que, no passado mês de abril Itália anunciou a criação de um fundo de cinco mil milhões de euros para lidar com o crédito malparado e garantir que os bancos mais fracos possam ser recapitalizados.