O presidente da Comissão Europeia afirmou esta quarta-feira que o crescimento está acelerar na Europa e os países mais vulneráveis começam a apresentar resultados positivos, mas advertiu que não existe verdadeira recuperação com os atuais níveis de desemprego.

No discurso do Estado da União, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, José Manuel Durão Barroso saudou os dados económicos mais recentes, advogando que os sinais de inversão de tendência económica são motivo de otimismo.

«Os países mais vulneráveis começam a apresentar resultados positivos», afirmou o chefe do executivo comunitário, que apontou como exemplo Portugal, cujos últimos dados apontam para um crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto.

«Estamos a ver que é possível ganhar esta batalha», afirmou Durão Barroso, reconhecendo no entanto que esta recuperação é «ainda frágil».

Num discurso de cerca de 45 minutos, Barroso referiu que é preciso fazer mais no combate ao desemprego e no financiamento da economia real: «Não podemos permitir uma recuperação sem postos de trabalho».

«O crédito ainda não está a chegar a toda a zona euro, apesar de tudo o que fizemos, e isso tem de acontecer, temos de alcançar o crescimento necessário para resolver o problema mais grave dos nossos dias, o desemprego, [que chegou a] um nível insustentável do ponto de vista económico e inaceitável do ponto de vista social», declarou o presidente da Comissão Europeia,

Durão Barroso deixou também um aviso sobre a dimensão e as características da crise, frisando que se vive «um período de transformação da História», e que o grande risco pode ser «a falta de estabilidade e determinação» dos governantes europeus.

«As pessoas pensam que depois tudo voltará ao que estava, mas estão errados, não vamos voltar à vida normal e anterior, temos de criar uma espécie de novo normal», afirmou.

«Espero que nos momentos de dificuldade, os ministros [europeus] sejam determinados na implementação [das medidas que tomam], não basta apenas tomar decisões», referiu Barroso.

O chefe do executivo comunitário procurou ainda responder aos críticos da União Europeia e ao seu desempenho face à crise.

«A União Europeia não esteve na origem da crise, esta resulta sim de uma má gestão das finanças dos vários governos e de um comportamento irresponsável dos mercados, há muitas pessoas que dizem que é a Europa que está a forçar os cortes, mas foram os governos que perderam o controlo antes da crise, não devido à Europa, mas apesar da União Europeia», sustentou.

«Muitos dos nossos cidadãos pensam que estamos a perder terreno a nível mundial mas nós aumentámos o nosso excedente, mais 300 mil milhões de euros por ano», referiu Barroso, acrescentando que «um ano do orçamento europeu é maior do que todo o Plano Marshall».