O deputado Duarte Marques defendeu, numa conferência realizada hoje na OCDE, em Paris, que «o falhanço de muitas políticas diminuiu muito a confiança das pessoas na política».

A conferência organizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e pela Transparência Internacional, cujo tema foi «Integridade e crise: Como recuperar a confiança dos jovens?», teve a participação do deputado de PSD que, em declarações posteriores à agência Lusa, referiu que «o falhanço de muitas políticas» levou à diminuição da confiança dos cidadãos na classe política.

«Não será suficiente, mas os resultados obtidos [pelo atual Governo] e a concretização das metas propostas poderá ajudar a recuperar a credibilidade dos atores e da política», acrescentou.

O deputado evocou ainda «um problema de transparência» e que «as pessoas sentem que os governos e a política não são transparentes».

«Há uma coisa que é comum: os Estados e a política não terão acompanhado, da mesma forma, a evolução do acesso à informação e a procura das pessoas por parte da informação, ou seja, há um problema de transparência», referiu.

Para Duarte Marques, «os governos não estavam preparados para este escrutínio tão forte, tão espontâneo e não tiveram capacidade de acompanhar esse crescimento exponencial».

Uma falta de representatividade nos partidos foi também apontada por Duarte Marques, que sublinha que as «próprias organizações partidárias não se souberam adaptar aos novos movimento sociais e à forma de escolha dos seus candidatos».

«Portanto, muitas vezes, quem ganha no partido não é quem ganha a confiança das pessoas (...) Os partidos deixaram de representar o melhor de cada sociedade», reiterou.

Por outro lado, o deputado apontou ainda «uma clara falta de cultura política e democrata das populações».

«Há uma falta de cultura política e participação cívica, que dá a ideia de que está a renascer agora, na geração atual, por necessidade (...) É pela necessidade que as pessoas se levantam do sofá e se preocupam mais um bocadinho», sublinhou.

«Hoje em dia as gerações mais novas já não se juntam tanto aos partidos, mas, na necessidade de mudar alguma coisa, juntam-se a movimentos sociais, a grupos de intervenção, alguns também a partidos políticos».

Neste sentido, o deputado considera que se assistiu a um «interregno de interesse político» que «é grande responsável pela falta de escrutínio dos governos e dos partidos».