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Paulo de Carvalho, 70 anos de muitas canções

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Parabéns, Paulo de Carvalho!

Presidente da República recebe o músico, em Belém, no dia em que ele faz 70 anos de idade.

A voz de "E Depois do Adeus" completa 55 anos de carreira e apresenta o álbum "Duetos" para celebrar.

É considerado uma das vozes mais carismáticas da música portuguesa. Nasceu a 15 de maio de 1947. Faz 70 anos de idade. É a entrada numa nova década, mas há outra data a assinalar na vida de Paulo de Carvalho. O artista que assume que ficou para a história por acaso com a música "E Depois do Adeus", senha da rádio no 25 de abril, comemora 55 anos dedicados às canções.

Para celebrar, lança o álbum "Duetos", o disco onde junta a sua voz a músicos de diferentes gerações e géneros musicais, nas canções que fazem parte do repertório da sua vida.

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Memórias de uma carreira

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Paulo de Carvalho chega à entrevista de fato e gravata. Revela que gosta de andar mais descontraído, mas o filho Bernardo (ou melhor, Agir, como se tornou conhecido com a sua carreira na música) quer que ele volte a mostrar uma imagem que recorde o artista que, em 1974, subiu ao palco do Festival da Canção. E é assim, vestido com um fato escuro e gravata azul, que o encontro. É assim que começamos uma longa conversa onde começa por me dizer que tem sido muito feliz e que a vida pode começar aos 70 anos.

Este começo faz-se com um projeto que junta pai e filho. Duas gerações com estilos musicais diferentes a trabalhar em conjunto para o mesmo resultado.

Foi Agir que desafiou o pai. Pediu-lhe que confiasse nele para produzir, não só a parte musical, mas também todo o processo executivo do disco. O pai aceitou seguir as "ordens" do filho de 29 anos. O resultado combina o trabalho dos dois.

"Faz todo o sentido, ao fim deste tempo, ter um disco com 17 das músicas mais conhecidas do meu percurso musical e, ao mesmo tempo, com esta agradável participação de tantos companheiros".

O desafio foi fazer um disco com "Duetos". Os temas de maior sucesso da carreira de Paulo de Carvalho ganham vida nova com os 17 convidados. Alguns são escolhas naturais, como é o caso de Carlos do Carmo, com "Lisboa, Menina e Moça" (o tema escrito por Paulo de Carvalho em 1976). "Eu escrevi em 1976 juntamente com o José Carlos Ary dos Santos um fado que chama 'Lisboa, Menina e Moça'. Faz todo o sentido ser o Carlos a cantar aquela cantiga comigo".

Mas há convidados de outras gerações e géneros musicais. "Estou atento ao que eles fazem e eles estão atentos àquilo que eu sou." Paulo de Carvalho faz parte da história do país. Os dois primeiros projetos foi como vocalista principal, mas só em 1970 inicia uma carreira a solo. Em 1971 fica em segundo lugar no Festival da Canção com "Flor sem tempo". Em 1974 vence o mesmo festival com "E depois do adeus".

Paulo de Carvalho foi ao Festival da Canção em 1974 com a canção "E Depois do Adeus". Foto DR

É um dos temas que levou ao Festival da Canção o primeiro single deste "Duetos". Mas desta vez "Flor Sem Tempo" junta a voz de Paulo de Carvalho a Diogo Piçarra.

"Vai ser uma surpresa para a maioria das pessoas ver como é que o Diogo canta a Flor sem tempo, comigo. Como é que uma pessoa de anos depois canta comigo? Eu estou a cantar mais ou menos como cantava. Os arranjos das músicas são reforçados mas não são muito diferentes. Têm mais qualidade porque os tempos também são outros".

Mas neste disco está também Marisa Liz com "E Depois do Adeus". Paulo de Carvalho deixa a pergunta: "O que é que a Marisa faz daquela cantiga? Qual o caminho é que ela foi, porque é uma cantiga muito datada, anos 70. Que volta é que ela deu? Eu acho que deu uma volta muito bonita".

No disco que sai no dia 19 de maio, está também Camané com "Os Putos", António Zambujo com "Os meninos de Huambo", Áurea com "Abracadabra", Rui Veloso com "10 anos", Raquel Tavares com "O Homem das Castanhas", Miguel Araújo com "Balada para uma Boneca de Capelista", Rita Guerra com "Maria Vida Fria", José Cid com "Nini dos meus 15 anos", Matias Damásio com "Mãe Negra", Tozé Brito com "Olá, então como vais?", Tatanka (The Black Mamba) com "Executivo".

Estão também os dois filhos, Agir que partilha "Meu Mundo Inteiro" e Mafalda Sacchetti "Um Beijo à Lua".

Há também uma participação improvável, a de Nuno Markl. O humorista não canta, mas faz um remake da introdução de "Gostava de vos ver aqui". O original foi feito por José Nuno Martins em 1979. A nova versão traz ainda a voz de Ivan Lins.

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Paulo de Carvalho: "Os joelhos batiam um no outro porque eu estava muito nervoso"

Paulo de Carvalho: "Os joelhos batiam um no outro porque eu estava muito nervoso"

Cantor recorda a sua passagem pelo Festival da Canção de 1974.

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"Uma pessoa como eu tem saudades do futuro, está sempre a pensar o que é que vai fazer?"

A entrar na década dos 70 diz sem hesitação: "Gosto muito de uma frase portuguesa que é nunca voltar ao sítio onde foi feliz, acho que isto é para andar para a frente". Mas não resisto a perguntar-lhe o que sente quando revê as imagens do Festival da Canção de 1974. Responde que se lembra dos joelhos a "bater um no outro porque estava muito nervoso". E remata a sublinhar a importância que a canção "E Depois do Adeus" ganhou no país ao ser a primeira senha do movimento dos capitães no 25 de abril de 1974: "Eu fiquei na história por acaso".

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Paulo de Carvalho: "Eu tenho ideia daquilo que quero fazer"

Paulo de Carvalho: "Eu tenho ideia daquilo que quero fazer"

Músico fala sobre o futuro da sua carreira.

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Garante que não tem medo de arriscar: "A minha coerência musical é mudar e isso levou-me já a campos como o funk, a canção ligeira, o fado, o jazz. O que causa alguns embaraços a muita gente. A maior parte das pessoas está habituada a pôr-nos em prateleiras. Eu gosto de arriscar e bastante." E o que vem depois de um disco como este "Duetos"? Paulo de Carvalho sorri, confessa que isso é o mais difícil. Mas garante que já tem ideia para o que vem depois. Porque a vida pode começar aos 70 anos, parabéns Paulo de Carvalho!

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Paulo de Carvalho: "Só podemos fazer a nossa história de futuro quando conhecemos o passado"

Paulo de Carvalho: "Só podemos fazer a nossa história de futuro quando conhecemos o passado"

Cantor acha que o novo disco "Duetos" vai mostrar às novas gerações a música que já se fez em Portugal.

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"Duetos", o repertório da vida de Paulo de Carvalho

Paulo de Carvalho é uma das vozes mais carismáticas da música portuguesa. Faz, esta segunda-feira, 70 anos de idade, no ano em que completa 55 de carreira. Para celebrar, lança o álbum "Duetos". Um disco onde junta músicos de várias gerações e géneros musicais, nas canções que fazem parte do repertório da sua vida

Sílvia Martins