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Donald Trump, a estrela de TV

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Por Élvio Carvalho

 

Quem ri por último, ri melhor, costuma dizer-se. Donald J. Trump pode rir muito, pode dançar, gargalhar, até, na cara de quem não levou a sério o primeiro anúncio de uma candidatura sua à Casa Branca. Aconteceu há mais de um ano. Na altura, o polémico ricaço de Nova Iorque, dono de uma torre com o seu nome gravado a ouro, disse, bem alto, que queria ser o próximo presidente dos EUA. O mundo riu ainda mais alto. Foi, desde logo, visto como o candidato “palhaço”, louco, que não seria levado a sério. Aquele candidato à nomeação que até poderia valorizar outros ditos “mais aptos” e que, realmente, tinham hipóteses de ocupar o lugar de candidato do Partido Republicano.

Praticamente ninguém acreditava que sobrevivesse às primeiras votações das primárias, porém, a verdade é que Trump eliminou 16 adversários e chegou à convenção do Partido Republicano como o principal candidato à nomeação. Conseguiu-a com um apoio impressionante e tornou-se oficialmente o candidato do partido “vermelho” contra a “azul” Hillary Clinton.

A gargalhada dentro da “Trump Tower” foi enorme.

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Donald Trump

O "Aprendiz" que passou a mestre

Donald Trump nasceu em Queens, Nova Iorque, a 14 de junho de 1946 (70 anos). É o segundo dos cinco filhos de Mary e Fred Trump, um casal bem conhecido na cidade pela fortuna conseguida por Fred e pela mãe no ramo do imobiliário.

O candidato republicano nasceu, portanto, em berço de ouro, e cedo começou a envolver-se nos negócios do pai, dono da “Elizabeth Trump & Son”, ainda enquanto estudava Economia na Universidade da Pensilvânia. O magnata entraria para a empresa oficialmente em 1968, a qual passou a liderar em 1971, sob o nome de “Trump Organization”.

Durante as décadas seguintes, Trump continuou a investir no setor imobiliário - comprando e vendendo propriedades - em hotéis e campos de golfe em várias partes do globo. Entre negócios de sucesso e falências, o empresário tornou-se milionário e uma das caras mais conhecidas do setor. Hoje, o magnata afirma que a sua fortuna está nos 10 mil milhões de dólares (mais de 9 mil milhões de euros), valor que a revista Forbes não corrobora, estimando um número entre os 2,9 e os 4 mil milhões (3,6 mil milhões de euros).

A fama para além dos negócios chegaria na década de 90 e início do novo século, quando Trump decidiu apostar no “show business”. O agora candidato à presidência participou numa dezena de filmes, em vários eventos e episódios de programas da WWE (wrestling), adquiriu parte dos direitos dos concursos de beleza “Miss Universo” e “Miss EUA” (que renderam a sua dose de polémicas) e apresentou, até 2015, o reality-show da NBC “O Aprendiz” – cujo objetivo era conseguir um emprego numa empresa de Trump. Foi, justamente, com este programa que Donald passou a aparecer regularmente nos ecrãs dos norte-americanos, ficando conhecido pela frase com que eliminava os concorrentes, “You’re Fired” (“estás despedido”).

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Torre Trump, Nova Iorque

Torre Trump, Nova Iorque

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As mulheres de Trump

As mulheres de Trump

Do passado pessoal de Trump falta, apenas, abordar um ponto: as mulheres. A atual esposa de Donald, a ex-modelo eslovena Melania Knauss (hoje Melania Trump), é a terceira mulher do magnata e mãe de um dos cinco filhos do candidato republicano. Casaram em 2005, cinco anos após o último divórcio de Trump.

Antes foi casado com a ex-modelo Ivana Zelnícková (em cima, à esquerda), desde 1977 até 1991, com quem teve três filhos: Donald Trump Jr., Ivanka e Eric Trump.

A sua segunda esposa foi a atriz Marla Maples (em cima, à direita), com quem esteve casado desde 1993 a 1999. Com Maples, Trump teve uma filha: Tiffany Ariana Trump.

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A carreira política do "quase"

A ideia de Trump concorrer à presidência dos EUA não é recente, pelo contrário, é algo que o magnata já queria desde há muito. Apesar de ter mudado várias vezes a sua filiação partidária (foi republicano, depois democrata e agora republicano novamente), Trump manifestou várias vezes vontade em concorrer à Casa Branca.

Em 1988, 2004 e 2012, Trump considerou entrar na corrida, mas nunca chegou a concretizar as suas intenções. Nas duas datas mais recentes, os rumores de uma candidatura foram vistos como uma jogada de marketing, de forma a promover o reality-show que apresentava, “O Aprendiz”. Durante a campanha de 1988, Trump terá sido considerado como um possível nome para o cargo de vice-presidente do (futuro presidente) George H. W. Bush, mas quem acabou por ocupar o lugar foi Dan Quayle.

Só em 1999 é que Trump esteve mais perto de uma campanha “a sério”. O magnata teve intenção de conseguir a nomeação do Partido Reformista, mas desistiu da corrida, durante as primárias, devido a disputas internas no partido.

O envolvimento nas eleições e política não fica por aqui. Mesmo sem concorrer, Trump apoiou vários candidatos, incluindo Ronald Regan (1976), John McCain (2008) e Mitt Romney (2012).

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O candidato ao longo dos anos

Empresário, pai, avô, estrela de TV e, agora, candidato à presidência dos EUA. Este é o lado mais pessoal de Donald Trump. A maioria destas fotografias foram partilhadas (sem data) pelo próprio na sua página da rede social Facebook.
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O 4º debate entre os candidatos Republicanos [Reuters\Jim Young]

Primárias 2016

Após várias “ameaças” ao longo dos anos, desta vez Trump levou mesmo avante a ideia de concorrer à presidência, optando pelo Partido Republicano, no qual estava filiado. A sua popularidade cresceu rapidamente em relação a outros candidatos iniciais, considerados mais “aptos” para exercer as funções de presidente, como Jeb Bush (filho e irmão dos ex-presidentes George H. W. Bush e George W. Bush, respetivamente) ou Ted Cruz (Senador do Texas).

Devido às suas declarações polémicas e populares comícios - que registaram vários incidentes, nomeadamente, confrontos entre apoiantes e manifestantes -, também por se tratar de uma ex-estrela de TV, a sua campanha atraiu bastante mais atenção da comunicação social do que as de outros candidatos à nomeação republicana. As suas afirmações incendiárias, como a intenção de construir um muro na fronteira dos EUA com o México (para impedir a entrada de novos imigrantes ilegais), lançaram o magnata para as manchetes dos jornais dezenas e dezenas de vezes, facilitando o seu reconhecimento em relação a outros republicanos.

Durante a campanha “interna” do partido, Donald Trump fez questão de atacar os seus adversários diretamente, muitas vezes recorrendo a polémicas e acusações do foro pessoal, que mais tarde lhe custaram o apoio de concorrentes, como John Kasich e Jeb Bush, mas também do ex-candidato Mitt Romney e de figuras históricas do partido, como os dois ex-presidentes Bush.

Várias foram as vozes, até mesmo dentro do Partido Republicano, que se mostraram contra uma nomeação de Trump, quando o candidato começou a vencer as primárias e caucus de múltiplos Estados. No entanto, como Donald conseguiu 41 das 55 zonas dos EUA (50 Estados mais 5 territórios ultramarinos) e mais de 1.400 delegados (dos 1.237 necessários para conseguir a nomeação) não havia muito a fazer se não aceitar a vitória do magnata e torná-lo o candidato do partido para defrontar Hillary Clinton nas urnas.

Amado ou odiado, a verdade é que Trump mobilizou o eleitorado e estas primárias tiveram a maior participação de sempre do Partido Republicano. Com 14 milhões de votos, tornou-se o candidato mais votado do partido em primárias e caucus.

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"Tornar a América grande outra vez"

Desde o início da campanha para a nomeação que Trump tem tecido duras críticas a alguns ideais democratas e à administração de Barack Obama, seja nas políticas relacionadas com a imigração, nas relações internacionais, decisões económicas, saúde e criminalidade.

O programa do candidato republicano é bastante radical em alguns setores, como o da imigração, e apresenta propostas que Trump considera necessárias para tornar “a América grande outra vez” (o seu slogan de campanha).

Eis as principais medidas propostas pelo magnata:

Imigração: Reformular as leis da imigração para diminuir o número de ilegais. Deportar os criminosos de outras nacionalidades e construir um muro em zonas críticas da fronteira com o México, para impedir a entrada de imigrantes ilegais.

Economia: Baixar impostos para todos os cidadãos e até eliminá-los completamente para parte da população com rendimentos mais baixos. Cortar os impostos das empresas para 15% (atualmente está nos 35%) para estimular o crescimento e a contratação, diminuindo o desemprego e criando mais riqueza. Resolver os problemas do Medicare (sistema de saúde para aposentados e pessoas com deficiência) e da Segurança Social.

Saúde: Substituir o “Obamacare”, nome com que ficou conhecida a reforma feita por Obama no sistema de saúde, por outro melhor.

Segurança e lei do porte de arma: Defender a segunda emenda à Constituição que permite o porte de arma por cidadãos. Apostar em programas que combatam a criminalidade e melhorar o sistema de saúde, retirando das ruas os doentes mentais violentos.

Relações internacionais e luta contra o terrorismo: Mudar a estratégia na Síria, apostando no combate ao Estado Islâmico, deixando para segundo plano a questão da liderança de Bashar Al-Assad. Coordenar esforços com a Rússia no combate ao EI. 

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As polémicas: impostos e mulheres

Donald Trump não causou polémica apenas pelas suas propostas para o país, também fez manchetes por todo o mundo devido a outras afirmações em relação à sua vida pessoal e aos seus negócios.

O empresário recusou-se sempre a divulgar as suas declarações de rendimentos, algo considerado normal para um candidato à presidência, tendo afirmado que era uma assunto seu, que não dizia respeito a mais ninguém. Mais tarde, Trump concordou em divulgar os documentos, apenas se Hillary Clinton revelasse os milhares de e-mails que trocou com a sua conta pessoal, enquanto foi secretária de Estado dos EUA.**

Trump foi, também, acusado de várias fugas aos impostos nas suas empresas e de arranjar esquemas para fugir ao fisco e a dívidas. O candidato admite, apenas, que enquanto homem de negócios, sempre fez tudo ao seu alcance para "pagar o mínimo de impostos possível".

Estas duas situações foram suficientes para abalar a campanha do republicano, porém, nenhuma delas foi tão forte como outra que surgiu já na reta final da campanha. Um vídeo de 2005, gravado a propósito do programa "Access Hollywood", revela uma conversa de bastidores (quando os microfones deviam estar desligados) entre Trump e o apresentador. 

O candidato afirma que costuma fazer avanços sobre mulheres - fala inclusivamente sobre uma casada - e que por ser uma "estrela" consegue não ter problemas. A frase "agarrá-las pela ****" chocou a América e levou, até, o candidato a vice-presidente Mike Pense a repudiar estas declarações.

Trump chegou a emitir um pedido de desculpas, mas frisou que se tratava de "conversa de balneário". Várias mulheres têm falado desde então aos media, contando situações em que se sentiram abusadas pelo candidato.

A campanha de Hillary Clinton aproveitou a polémica e fez um vídeo que junta várias declarações do magnata ofensivas para com as mulheres.

 

** Esta foi a grande polémica do lado democrata durante a campanha. Hillary Clinton usou uma conta de e-mail pessoal para trocar mensagens oficiais, quando por lei deve ser utilizada uma conta oficial. O FBI concluiu que não há indícios de crime na correspondência eletrónica, ainda que tenha sublinhado que a democrata foi “extremamente descuidada a maneira como lidou com informação sensível e altamente classificada”.

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As mulheres que "tramaram" Trump

Candidato pede desculpa em vídeo, mas ataca Bill e Hillary Clinton

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As polémicas que envolvem os dois candidatos à Casa Branca

Evasão fiscal vs e-mails de Hillary

Duas das grandes controvérsias desta campanha eleitoral.

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Frases que incendiaram a campanha

O candidato republicano é conhecido pelas declarações polémicas. Estas são algumas das que marcaram a corrida à Casa Branca.
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Os tweets controversos

Trump é polémico. Ponto. O jornal New York Times até compilou uma lista de pessoas que o magnata ofendeu apenas na rede social Twitter, a rede social de eleição do candidato já há vários anos.

Aqui ficam alguns dos mais polémicos, não só desta campanha, mas de sempre.

Sobre a republicana Carly Fiorina: "Ouvi-la mais de 10 minutos dá dores de cabeça, tem zero hipóteses!"

Sobre os rivais Jeb Bush e Marco Rubio: "Bush e Rubio não conseguem responder a uma simples questão sobre o Iraque. Nunca vão tornar a América grande novamente".

Sobre o aquecimento global: "O conceito aquecimento global foi criado pelos e para os chineses, para tornar a produção americana pouco competitiva."

Sobre Hillary Clinton (entretanto apagado): "Se Hillary não consegue satisfazer o marido, o que a leva a crer que pode satisfazer a América?"

Sobre o local de nascimento de Barack Obama: "Uma fonte extremamente credível ligou-me e disse-me que a certidão de nascimento de Barack Obama é falsa".

Sobre a vacinação: "Crianças saudáveis vão ao médico, levam doses massivas de vacinas, começam a sentir-se mal e mudam - AUTISMO. Muitos casos!"

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Candidato à presidência dos EUA envolve-se em discussão com jornalista

O candidato anti-sistema

Trump não é tanto um candidato do Partido Republicano como é o candidato “anti-sistema”. Enquanto Hillary Clinton é politicamente correta e tenta passar uma imagem sóbria, o magnata não tem papas na língua e é polémico propositadamente. Donald quer ser o candidato do povo, que transmite diretamente para o eleitor aqueles que são os seus ideais, e não os do seu Partido. Trump é Trump, quem gosta, gosta, quem não gosta, pode abandonar o seu comício, por vezes literalmente: durante a campanha o candidato expulsou várias pessoas dos seus eventos.

 

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Trump vs Clinton: quando a inexperiência fala mais alto

Esta autenticidade e feitio difícil vêm – não só, mas também – da inexperiência política, exatamente o contrário do que acontece com a ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama, Hillary Clinton.

Apesar de Trump ter conhecido os bastidores da política por várias vezes, com doações e anúncios de candidaturas à presidência, é abismal a diferença entre os dois no que toca à atividade política. Aliás, um dos trunfos do magnata para atacar a sua adversária durante a campanha foi, justamente, a passagem de Clinton pelo cargo de secretária de Estado, nomeadamente os “erros que cometeu” enquanto representante dos EUA.

A inexperiência notou-se nos discursos dos comícios desde as primárias, mas, principalmente, nos três debates em que esteve frente a frente com a democrata. A partir do segundo, Hillary beneficiou da polémica relacionada com o vídeo de 2005 - no qual o magnata surge a fazer uma afirmação machista - é verdade, mas, ainda assim, Trump foi sempre mais barulhento e menos focado do que a sua adversária.

Acabou por perder todos os debates, muito por culpa do seu temperamento e agressividade, ao quais Hillary respondia com calma. Trump chegou a afirmar, no segundo debate, que mandaria prender a ex-secretária de Estado devido ao “caso dos e-mails” e, no terceiro, que “deixava em suspenso” se irá aceitar os resultados das eleições em caso de derrota.

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Terceiro e último debate dos candidatos à presidência dos EUA

Último debate dos candidatos à presidência

(Donald Trump vs Hillary Clinton, foto: EPA)

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Donald Trump

Donald J. Trump, 45.º Presidente dos Estados Unidos da América

Donald Trump foi eleito 45º presidente dos Estados Unidos com uma vitória expressiva.

O que parecia altamente improvável, aconteceu: Donald Trump, o multimilionário que foi estrela de um reality show, o candidato que prometeu construir um muro na fronteira com o México, o homem que foi acusado de racismo e misoginia, vai liderar os destinos da maior potência mundial. Donald Trump derrotou Hillary Clinton e é o 45.º Presidente dos Estados Unidos, sucedendo a Barack Obama.

O desempenho do candidato republicano nesta noite eleitoral superou todas as previsões dos analistas. Ao início da noite, a probabilidade de Donald Trump vencer as eleições era de apenas cerca de 30%. Mas tudo a noite levou. O magnata não só venceu a adversária democrata, como o fez com uma vitória expressiva, conquistando 288 lugares no colégio eleitoral. E ainda conseguiu dar aos republicanos a maioria no Senado.

No seu discurso de vitória, Trump confidenciou que recebeu um telefonema de felicitações da adversária democrata. Agradeceu a confiança dos eleitoes e assegurou que será o Presidente de todos os norte-americanos.

"Comprometo-me a ser o Presidente de todos os norte-americanos. Para aqueles que não me escolheram, peço ajuda para trabalharmos juntos", sublinhou.

Prometeu "lidar de forma justa" com todos os povos e nações e, no plano económico, duplicar o crescimento. "A América não se contentará com nada que não seja o melhor", reiterou.

À medida que as projeções das televisões norte-americanas foram sendo divulgadas, esta terça-feira, o mapa eleitoral norte-americano começou a ser pintado de vermelho, a cor do Partido Republicano. E as conquistas em “estados oscilantes” importantes, como o Ohio, a Flórida ou a Carolina do Norte, tornaram este desenho cada vez mais definido. Noite dentro.  

Nada fazia prever este cenário. E nem o próprio Partido Republicano, que desde o primeiro momento mostrou resistências em atribuir a nomeação a Trump, anteciparia um resultado como este. Apesar de nos últimos dias a campanha de Clinton ter sido abalada por um novo episódio na novela sobre os emails que enviou enquanto secretária de Estado, os especialistas continuavam a dar uma vantagem sólida à democrata.

Todavia, as previsões falharam. Depois de uma campanha eleitoral que ficará para a História pelas piores razões - feita de muita crispação e muito pouco sumo político -, Trump, o candidato com um discurso populista sobre temas tão sensíveis como a imigração ou a liberdade religiosa, mostrou que as sondagens não passam disso mesmo e podem errar.

Os reflexos da vitória de Trump não se fizeram esperar. O peso mexicano caiu abruptamente e as bolsas asiáticas abriram em queda. Um pouco por todo o mundo, houve choque e perplexidade.

Os resultados destas eleições trazem inevitavelmente à memória o que aconteceu com o referendo no Reino Unido sobre a União Europeia a meio do ano. E, de certa forma, há um paralelismo: nos dois casos há um eleitorado desiludido, zangado até, e que escolhe uma mudança - ainda que esta signifique um caminho radicalmente diferente de tudo o que se conheceu até então.

Trump conseguiu convencer a América desencantada. A América que, a braços com uma economia que perdeu o fulgor de outros tempos, está cansada de um sistema político que consideram estar viciado. E conseguiu convencer a América que olha para os imigrantes com desdém, a que acredita no isolacionismo. É esta América, que se divide em várias e ao mesmo tempo é apenas uma, que olha para Trump como um outsider, alguém capaz de uma mudança qualquer, mesmo que não sei saiba o que isso realmente significa.

A identidade dos Estados Unidos, como a conhecemos - a nação da liberdade, o berço da multiculturalidade - pode ser profundamente alterada com as políticas populistas de Trump que prometem romper com a tradição diplomática norte-americana.

O futuro do país está em suspenso, mas não só. Porque os destinos da maior potência a nível global mexem com os destinos de todos, é o futuro dos povos e um sentimento de estabilidade do mundo que está em causa. 

Élvio Carvalho