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Dilma: a ascenção e a queda da primeira mulher a chegar à Presidência do Brasil

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Foi a primeira mulher a ser eleita Presidente do Brasil. E a segunda pessoa neste cargo a enfrentar formalmente um processo de impeachment.

Formada em Economia, Dilma Rousseff foi a "escolhida" por Lula da Silva para o suceder na liderança do PT e chegar, assim, a chefe do governo brasileiro. Antes tinha sido ministra das Minas e Energia, ministra da Casa Civil e uma figura central do executivo de Lula.

Nascida em Belo Horizonte, no seio de uma família da classe média, começou muito cedo a interessar-se por política. Lutou contra a ditadura militar e chegou a estar presa durante quase três anos, período durante o qual foi alvo de tortura.

 

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Família Dilma

Origens

Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, numa família da classe média 

Filha do poeta e empresário búlgaro Pétar Russév - que se naturalizou brasileiro com o nome de Pedro Rousseff, e da professora brasileira Dilma Jane Silva. Tem dois irmãos, Igor e Zana.

Terá herdado do pai, que esteve ligado a movimentos políticos na Europa, o espírito libertário e o gosto pela literatura.  

Começou cedo a interessar-se por política e pelo socialismo.

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Jovem Dilma

A jovem Dilma e a luta contra a ditadura

A jovem Dilma lutou contra a ditadura militar, integrando vários movimentos de esquerda: a organização Colina (Comando de Libertação Nacional), e, posteriormente, a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares).

Vivia na clandestinidade e usava nomes diferentes para não ser descoberta pelas forças do regime.

Esteve presa em São Paulo durante quase três anos. Aí foi torturada com murros, choques elétricos e outras práticas violentas.

Quando saiu da prisão, dez quilos mais magra e com problemas de saúde, suspenderam os seus direitos políticos.

 

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Uma nova vida no Rio Grande do Sul

Mudou-se para o Rio Grande do Sul, mais propriamente para Porto Alegre. E ali se estabeleceu com o companheiro Carlos Araújo, com quem fundou o PDT do Rio Grande do Sul.

Os dois tiveram uma filha, Paula Rousseff Araújo, em 1976.

Dilma tinha sido expulsa da Universidade Federal de Minas Gerais e impedida de acabar os seus estudos naquela universidade. Foi na Universidade Federal do Rio Grande do Sul que acabou por se formar em Economia, em 1977.

Antes, em 1976, já tinha começado a trabalhar na Fundação de Economia e Estatística, como estagiária.

 

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O início da carreira política no PDT

Com o companheiro Carlos Araújo, participou na fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT) do Rio Grande do Sul.

Foi assessora da bancada do PDT na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Depois, foi Alceu Collares, que Dilma apoiou na candidatura à prefeitura de Porto Alegre, que a nomeou para ser Secretária da Fazenda de Porto Alegre, cargo que exerceu entre 1985 a 1988.

Em 1989 foi nomeada diretora-geral da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Depois, tornou-se presidente da Fundação de Economia e Estatística, entre 1991 a 1993, e passou pela Secretaria Estadual de Energia, Minas e Comunicações, entre 1993 a 1994.

 

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Dilma recebe o apoio de Lula da Silva (Reuters)

Do PDT ao PT

Em 2001, Dilma filiou-se no Partido dos Trabalhadores (PT).

Coordenou a equipa de Infra-Estrutura do Governo de Transição entre o último mandato de Fernando Henrique Cardoso e o primeiro de Lula da Silva.

Foi quem ficou responsável pelo programa de Energia do governo de Lula.

 

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Lula da Silva (Reuters)

Uma figura central do governo de Lula

Em 2002, Lula da Silva foi eleito Presidente do Brasil com quase 53 milhões de votos, tornando-se no segundo presidente mais votado do mundo, apenas superado pelo presidente norte-americano Ronald Reagan. Lula levou o PT, pela primeira vez, para o poder.

Dilma Rousseff tornou-se uma figura central do executivo de Lula.

Primeiro foi ministra da pasta das Minas e Energia entre 2003 e junho de 2005.

Depois, chegou à Casa Civil, após a demissão de José Dirceu de Oliveira e Silva, em 16 de junho de 2005, acusado de corrupção.

Foi também indicada pelo presidente para ser gestora do PAC, Programa de Aceleração de Crescimento, motivo pelo qual ficou conhecida como "a mãe do PAC".

 

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Dilma Rousseff tomou posse do governo do Brasil (Reuters)

A primeira mulher a chegar à Presidência

Em fevereiro de 2010, durante o Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, Dilma tornou-se pré-candidata do PT à Presidência da República. E por isso, teve de sair da Casa Civil, dando o lugar a Erenice Guerra.

A 31 de outubro de 2010, tornou-se a primeira mulher a ser eleita para o cargo de Presidente do Brasil.

Na cerimónia de tomada de posse, a 1 de janeiro de 2011, afirmou: “O meu compromisso supremo [...] é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos". 

 

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Segundo mandato marcado pela crise

Em 2014 candidatou-se às eleições para um segundo mandato como Presidente do Brasil, que acabou por vencer. E Dilma voltou a ser empossada chefe do governo brasileiro.

O segundo mandato ficou marcado pela crise económica e política que levaram o executivo de Dilma a tomar medidas impopulares, como o aumento da carga fiscal.

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Dilma Rousseff

Segundo os dados de fevereiro de 2015, a popularidade de Dilma caiu de 42% para 23%, a avaliação mais baixa de um governo federal desde dezembro de 1999.

A insatisfação dos brasileiros sentiu-se em protestos realizados por todo o país.

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O impeachment

A 2 de dezembro, o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, um opositor declarado do governo de Dilma, que foi, depois, afastado do cargo pelo seu envolvimento no caso "Lava Jato", autorizou a abertura de um pedido de impeachment.

O pedido, apresentado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal, sustenta que o governo brasileiro cometeu irregularidades fiscais no atual mandato, iniciado em janeiro de 2015.

Estes são argumentos que a presidente do Brasil sempre rejeitou. Para Dilma, o processo representa uma tentativa de "golpe" de Estado.

Dilma acusou mesmo o seu número dois, Michel Temer, de ser uma das principais figuras desse alegado estratagema.

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Dilma Rousseff

A queda de Dilma

Aprovado primeiro por uma comissão especial e depois pelos deputados da Câmara, o pedido de impeachment acabou por chegar ao Senado. A 12 de maio, os senadores votaram a favor da destituição de Dilma, que ficou, assim, afastada do cargo por um período de até 180 dias. Durante este período, Dilma tem de responder pelas acusações de que é alvo.

Esta é a segunda vez que um presidente enfrenta formalmente um impeachment, depois de Fernando Collor ter sido alvo do mesmo processo.