O IGCP - Agência da Tesouraria e da Dívida Pública - colocou 500 milhões de Bilhetes Tesouro a 6 meses e 1.750 milhões a 12 meses com taxas negativas nas duas maturidades. No total Portugal financiou-se em 2.250 milhões de euros com os investidores a correm algum risco e a pagarem para deter dívida portuguesa.

No leilão a seis meses, a oferta superou a procura em 2,04 vezes face às 1,9 vezes do leilão anterior. A taxa paga foi negativa em -0,033% em relação aos -0,003% da operação comparativa anterior.

No leilão com a maturidade em setembro de 2017, superior, a oferta superou a procura em 1,60 vezes, menos que as 2,3 vezes do precedente. Mas a taxa passou de 0,007% para 0,014% negativa. 

"A conseguir taxas negativas nos dois prazos, não admira que Portugal tenha aproveitado para emitir 500 milhões de euros a mais do que o que tinha como objetivo, até porque nas últimas semanas houve um agravamento do prémio de risco da dívida portuguesa, sobretudo na dívida mais longa", diz Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa.

Acrescentando que "as duas taxas negativas acabam por não ser grande surpresa porque estão em linha com o que está a ser praticado no mercado”.

Já Marisa Cabrita, gestora de activos da Orey Financial, diz que "Portugal conseguiu colocar um montante acima do objectivo e a 'yields' [taxas] negativas em ambos os prazos que são mínimos históricos. Assistiu-se a maior procura na maturidade mais longa. Embora se registe um ambiente de taxas de juro muito baixas, levando a que os investidores sejam obrigados a assumir mais risco, no entanto, os resultados do leilão poderão indicar alguma confiança no curto prazo”.

“Portugal continua a emitir com sucesso e os investidores continuam a ter apetite por dívida portuguesa", conclui o diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa.