A presidente brasileira Dilma Rousseff afirmou esta terça-feira no discurso de abertura da 68ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, que as ações de espionagem dos Estados Unidos no Brasil «ferem» o direito internacional e «afrontam» os princípios que regem a relação entre os países.

Dilma iniciou o discurso com uma alusão ao atentado terrorista no Quênia que matou mais de 60 pessoas, mas, a seguir, «atacou» os Estados Unidos, ao criticar as ações de espionagem dos Estados Unidos de que alegadamente foi alvo.

«Quero trazer à consideração das delegações uma questão à qual atribuo a maior relevância e gravidade. Recentes revelações sobre as atividades de uma rede global de espionagem eletrônica provocaram indignação e repúdio em amplos setores da opinião pública mundial», disse Dilma Rouseff.

«Dados pessoais de cidadãos foram indiscriminadamente objeto de interceptação. Informações empresariais muitas vezes com alto valor económico e mesmo estratégico estiveram na mira da espionagem. Também representações diplomáticas brasileiras, entre elas a Missão Permanente junto às Nações Unidas e a própria Presidência da República do Brasil tiveram suas comunicações interceptadas», afirmou.

Para a presidente, «imiscuir-se dessa forma na vida dos outros países fere o direito internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre eles, sobretudo, entre nações amigas».

Na presença de delegações de mais de 190 países, inclusive dos Estados Unidos, Dilma afirmou que «não procedem» as afirmações do governo norte-americano de que a interceptação da comunicação de autoridades destina-se a proteger os cidadãos contra o terrorismo.

«O Brasil repudia, combate e não dá abrigo a grupos terroristas. Somos um país democrático», cita a «Globo».