O antigo diretor clínico do Sporting Frederico Varandas afirmou este sábado que os sócios 'leoninos' estão "fartos da cultura de ódio" existente e manifestou o desejo de que Bruno de Carvalho marque presença na Assembleia Geral (AG) extraordinária.

Estou aqui porque não houve eleições, porque Bruno de Carvalho não quis. Vou votar sim, porque é o sim que leva às eleições. Caso haja destituição, quero eleições, sem pressionar os órgãos sociais", afirmou o médico, à entrada para a AG, que se realiza na Altice Arena, em Lisboa.

A reunião magna foi convocada com o objetivo de decidir o afastamento ou a continuidade de Bruno de Carvalho, figura central de uma crise que se agudizou com a perda do segundo lugar na I Liga de futebol e a invasão de adeptos à Academia do Sporting, em Alcochete.

Frederico Varandas, que se demitiu do cargo de diretor clínico no final da época e que já manifestou a intenção de se candidatar à presidência do clube, caso haja eleições, recordou as razões que o levam a votar favoravelmente pela destituição do atual líder dos 'verde e brancos'.

Sou democrata. Acredito nos sócios e o Sporting seguirá o caminho que os sócios quiserem. Os sportinguistas estão fartos desta fratura, deste discurso, desta cultura de ódio. Hoje, os sportinguistas têm o dever de colocar o Sporting no seu lugar", referiu.

De resto, Frederico Varandas disse que Bruno de Carvalho "deveria vir à AG, na qualidade de sócio" e reforçou a intenção de se candidatar à liderança dos 'leões': "Sei bem ao que venho. Isto é uma missão e vou levá-la até ao fim."

Os sócios do Sporting continuam a entrar na Altice Arena, sendo que ainda há muitos associados no exterior do recinto, à espera para entrar.

Bruno de Carvalho, que em fevereiro viu uma larga maioria de sócios legitimar o seu mandato - aprovando alterações aos estatutos e ao regulamento disciplinar, e a continuidade dos órgãos sociais - é o primeiro presidente a enfrentar a possibilidade ser afastado em quase 112 anos de história do clube.

Eleito em 2013 e reconduzido em 2017, Bruno de Carvalho considerou, desde o início, que a AG é ilegal, e disse, mais tarde, que não marcaria presença no plenário, que decorre no Altice Arena, em Lisboa.

Em vésperas da AG, o presidente 'leonino' afirmou que se afasta do cargo se a sua destituição for votada de forma fidedigna.

A AG foi convocada por Jaime Marta Soares em 24 de maio, numa altura em que presidente da Mesa da Assembleia Geral (MAG) já tinha dito publicamente que se demitira, embora nunca tenha formalizado o pedido.

Além da MAG, o clube ficou também sem quórum no Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD), e o Conselho Diretivo (CD), liderado por Bruno de Carvalho, perdeu seis membros.

A maioria dos pedidos de demissão surgiram logo após 15 de maio, dia em que vários futebolistas do plantel e elementos da equipa técnica e do staff foram agredidos na Academia por cerca de 40 adeptos encapuzados, dos quais 27 foram detidos e ficaram em prisão preventiva.

Estes acontecimentos, levaram os futebolistas Rui Patrício, William Carvalho, Gelson Martins, Bruno Fernandes, Battaglia, Bas Dost, Podence, Ruben Ribeiro e Rafel Leão a rescindirem contrato alegando justa causa.