O ex-ministro e presidente da COTEC Daniel Bessa alertou esta quinta-feira para a importância excessiva que se está a dar consumo e ao mercado interno, defendendo a necessidade de manter o rumo seguido nos últimos anos nas contas públicas.

"A única questão que se tem vindo a discutir com a qual eu posso estar menos de acordo com o que tenho ouvido tem que ver com a importância que do meu ponto de vista se está a conceder ao consumo e ao mercado interno que me parece, do meu ponto de vista, excessiva", afirmou Daniel Bessa.


Reconhecendo que a situação da economia portuguesa continua "bastante difícil", o antigo ministro da Economia do governo socialista de António Guterres, defendeu ainda a necessidade de manter o rumo nas contas públicas, apesar das melhorias registadas nos últimos anos.

"A boa novidade destes últimos anos tem que ver com o crescimento das exportações e que assim terá de continuar. No tema das contas públicas onde se melhorou, não tanto como nas exportações, melhorou-se nestes últimos anos, é também muito importante que o rumo seja mantido", referiu, insistindo que não acredita que a economia possa crescer pelo mercado interno num país "muito pequeno" e com uma economia aberta como existe em Portugal.

"Quero que o mercado interno cresça através das receitas de exportação", vincou.


Daniel Bessa, que começou a declaração aos jornalistas por dizer que tem 67 anos, tem passado a sua vida com a economia e que de política sabe "muito pouco", escusou-se a "antecipar" o efeito na economia dos atrasos na entrega do Orçamento do Estado para 2016.

"Estamos a falar de questões que não consigo antecipar", disse.


Sobre a conversa que teve com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, Daniel Bessa assegurou que se falou "sobretudo de economia".

Daniel Bessa foi o segundo dos sete economistas que o chefe de Estado, irá receber hoje em Belém, na sequência da aprovação a 10 de novembro de uma moção de rejeição do programa do Governo por todos os partidos da oposição, derrubando assim o executivo de coligação PSD/CDS-PP, liderado por Pedro Passos Coelho. Antes de Daniel Bessa, Cavaco Silva recebeu o economista e conselheiro de Estado Vítor Bento.