Uma sequência de escândalos na banca irlandesa, que envolveu algumas das principais instituições financeiras do país, levou o Governo a criar um novo organismo de supervisão bancária, que combinará competências do Banco Central e de regulador financeiro.

«Vamos fazer uma reforma radical do sistema e dos métodos de supervisão e regulação do sector financeiro», disse sábado à noite o primeiro-ministro, Brian Cowen, na conferência anual do seu partido, Fianna Fail, citado pela agência Lusa.

Cowen, antigo ministro das Finanças, adiantou que o novo órgão será criado com base no modelo em vigor no Canadá.

Anunciou ainda sanções contra os banqueiros que não respeitem as regras e os limites sobre os vencimentos dos funcionários dos bancos apoiados pelo Estado.

No centro da controvérsia no sector financeiro irlandês tem estado o Anglo Irish Bank, agora nacionalizado, cujo presidente, Sean Fitzpatrick, se demitiu recentemente depois de reconhecer a transferência de cerca de 87 milhões de euros concedidos pelo banco a título de um empréstimo pessoal secreto.

Outras investigações

As transferências, que não constavam das contas anuais do banco, seguiram anualmente para uma conta pessoal noutra instituição, durante oito anos, até 2007.

O banco é alvo de uma outra investigação, relativa ao pagamento de 451 milhões de libras (509 milhões de euros) a dez clientes, para compra de acções do próprio Anglo Irish.

«Há grande indignação e repulsa entre as pessoas confrontadas com a forma como os nossos banqueiros se comportaram», disse Cowen.

No mês passado, vários dirigentes do Irish Life & Permanent, um dos maiores fornecedores de hipotecas no país, foram forçados a demitir-se na sequência de transferências multimilionárias para a Anglo Irish, alegadamente para inflacionar os depósitos do banco.

O primeiro-ministro tem vindo a alertar para a inevitabilidade de um aumento da carga fiscal no país, historicamente baixa e apontada como uma das principais razões para o sucesso da economia irlandesa na última década.

As previsões de despesas do Governo ascendem a 55 mil milhões de euros este ano, mas as receitas não devem exceder 37 mil milhões de euros.