A crise no sector da habitação poderá gerar «entre 190 a 285 mil novos desempregados no conjunto da economia» ao longo deste ano, prevê a Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (Fepicop).

A organização empresarial, que agrupa as três principais associações empresariais do sector, estima que «as quebras directas no emprego na habitação podem atingir, em 2009, os 95 mil postos de trabalho», valor que multiplicado por 2 ou 3 dá então 190 ou 285 mil desempregados.

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O desemprego na habitação dá origem à destruição de postos de trabalho noutros sectores cujas actividades estão relacionadas com as da habitação.

A Federação chega a este número aplicando o «efeito multiplicador do desemprego» do sector da habitação na actividade económica em geral, que, «de acordo com a Comissão Europeia, oscila entre os 2 e o 3».

A organização, que apresentou esta segunda-feira as perspectivas para 2009, traçou um quadro negro da realidade.

«O impacto directo e indirecto do desemprego gerado pela habitação em Portugal poderá significar um acréscimo entre dois e três mil milhões de euros na despesa pública», causado pela atribuição de mais subsídios de desemprego, advertiu a federação.

Num documento intitulado «Investir em construção/Ultrapassar a crise», a Fepicop preconiza, por isso, «um plano de emergência anti-crise que contemple o relançamento do investimento em habitação, à semelhança do que acontece nos EUA ou em toda a Europa».

Uma das medidas propostas pela organização que representa os patrões do sector é a «mobilização de dois a três mil milhões de investimento público, que poderiam atrair uma verba equivalente de investimento privado para a reabilitação das cidades, numa nova lógica de parcerias público-privadas».

«O país tem mais 800 mil casas a necessitar de obras profundas e urgentes», frisou Reis Campos, acrescentando: «Queremos gruas no meio das cidades e das ruas».

A Fepicop aponta ainda o dedo ao novo regime do arrendamento urbano em vigor há pouco mais de dois anos, salientando que, «num universo de 390 mil contratos, verificava-se que apenas 1.256 tinham sido actualizados, o que representa 0,3 por cento do total».

Os patrões entendem que a resposta à crise económica que atinge Portugal passa, por exemplo, por «dinamizar os três segmentos em que se divide a construção»: engenharia civil, que representa 37 por cento do mercado, edifícios não residenciais, responsável por 25 por cento, e o segmento dos edifícios residenciais, que representa 38 por cento do total do sector.