O filme "Os Maias", de João Botelho, vai ser exibido nas cidades norte-americanas de Dartmouth, Providence e Berkeley, numa iniciativa do Arte Institute, durante o mês de outubro.

O filme é mostrado primeiro na Universidade de Massachusetts, em Dartmouth, na próxima segunda-feira, e parte depois para Rhode Island, onde pode ser visto da Universidade de Brown, na quarta-feira. É exibido passados dois dias no Berkeley City College, na Califórnia.

O ator Pedro Lacerda estará presente nas sessões, respondendo a perguntas da audiência, no final.

Além da referência que é o livro de Eça de Queiroz, era um filme no qual várias pessoas tinham mostrado interesse. Por isso juntámos sinergias com parceiros nos EUA para o podermos apresentar", explicou a diretora do Arte Institute, Ana Ventura Miranda, à agência Lusa.

A organização tem uma parceria com a Ar de Filmes, que produziu "Os Maias - Cenas da vida romântica", desde 2013, quando juntos apresentaram o "Filme do Desassossego", também de João Botelho, no Museu de Arte Moderna (MoMA), de Nova Iorque.

A aposta no cinema tem sido sempre uma bandeira do Arte Institute. O cinema é por excelência um grande veículo para mostrar o que é o Portugal contemporâneo, o que pensamos hoje, de onde viemos, as nossa influências culturais e, muitas vezes, como é o país geograficamente, o que é ainda desconhecido para alguns", explica Ana Miranda.

Além do New York Portuguese Short Film Festival, um festival de curtas-metragens que vai na sua sétima edição, estando presente em 30 cidades, em 17 países, o Arte Institute já apresentou nos EUA algumas longas-metragens, como é o caso de "A Gaiola Dourada", de Rúben Alves.

"As diferenças que notamos desde o início são enormes, por vários motivos", diz Ana Ventura Miranda, nomeando prémios em festivais internacionais de cinema e explicando que o sucesso do turismo nacional também ajuda a promoção da sua cultura.

"Tem sido preponderante para um maior conhecimento do nosso país e para a difusão da nossa cultura, especificamente do cinema. As audiências querem saber que cara tem este Portugal, e o cinema é uma boa porta de entrada para esse país, em alguns casos, a descobrir", explica a responsável.

"Os Maias" foi o filme nacional mais visto de 2014, tendo ultrapassando os 122 mil espectadores em sala, e arrecadado vários prémios e distinções, como os de melhor filme, melhor realizador e melhor ator, em diferentes competições, como os Globos de Ouro, os prémios da crítica e os prémios da Academia Portuguesa de Cinema.

A obra, realizada a partir do livro de Eça de Queiroz, que recria o Chiado do final do século XIX, é o primeiro filme inteiramente de época de João Botelho, que, na altura da estreia, afirmou que o romance assenta "como uma luva" no Portugal contemporâneo.

Os interiores foram filmados em palacetes, sobretudo em Lisboa, mas também no norte do país, e os exteriores foram recriados em estúdio, usando telas de grandes dimensões, pintadas pelo artista plástico João Queiroz.

No próximo ano, o filme será mostrado na Universidade de Rutgers, na cidade de Newark, Nova Jérsia.