O realizador português João Pedro Rodrigues conquistou este sábado o Leopardo para Melhor Realização no Festival de Locarno com o filme “O ornitólogo”, segundo a informação sobre o palmarés disponibilizada no ‘site’ do festival. Esta é uma ficção sobre um investigador cuja vida se altera completamente, durante um trabalho de campo numa floresta.

João Pedro Rodrigues foi já distinguido em Locarno, em 2012, uma menção especial do júri, pela longa-metragem “A última vez que vi Macau”, uma obra assinada com João Rui Guerra da Mata.

O Leopardo de Ouro foi atribuído ao filme “Godless”, da realizadora búlgara Ralitza Petrova, enquanto o Prémio Especial do Júri coube a “Inimi Cicatrizate”, do realizador romeno Radu Jude. 

Irena Ivanova ganhou o Leopardo para a melhor interpretação feminina por “Godless” e Andrzej Seweryn foi galardoado com o Leopardo de melhor ator pela interpretação em “Ostatnia rodzina”, do polaco Jan P. Matuszynski.

A Menção Especial coube a “Mister Universo”, da italiana Tizza Covi e do austríaco Rainer Frimmel.

“El auge del humano”, uma coprodução da Argentina/Brasil/Portugal, do realizador argentino Eduardo Williams ganhou o Leopardo de Ouro Cineasti del presente –Prémio Nescens, assim como a Menção Especial para as primeiras obras.

Seis filmes portugueses estiveram em competição no festival, entre os quais as longas-metragens "O ornitólogo", de João Pedro Rodrigues, e "Correspondências", de Rita Azevedo Gomes, ambas a competir pelo prémio máximo, o Leopardo de Ouro. A competição de curtas-metragens contou com a animação "Estilhaços", de José Miguel Ribeiro, "Setembro", de Leonor Noivo, "À noite fazem-se amigos", de Rita Barbosa, e "Um campo de aviação”, filme experimental de Joana Pimenta.

A presença portuguesa em Locarno teve ainda quatro outros filmes, exibidos fora de competição: "Longe", de José Oliveira, "A brief history of princess X", de Gabriel Abrantes, “O corcunda”, que este realizador rodou com Ben Rivers, e “O cinema de Manoel de Oliveira e eu”, de João Botelho.

Da programação do festival fizeram ainda parte "Comboio de sal e açúcar", do realizador e escritor brasileiro, residente em Moçambique desde 1975, Licínio de Azevedo, numa coprodução com Portugal, e "Rio Corgo", uma produção luso-suíça, de Maya Kosa e Sérgio da Costa.

Em 2014, Locarno distinguiu o filme de Pedro Costa “Cavalo Dinheiro”, com o prémio de melhor realização e uma menção especial da Federação Internacional de Cineclubes, enquanto no ano anterior, 2013, o realizador português Joaquim Pinto conquistou o prémio especial do júri, o prémio da crítica e o prémio do júri jovem do festival, com o documentário "E agora? Lembra-me".

Gabriel Abrantes ("Liberdade", "A History of Mutual Respect") e Gonçalo Tocha ("É na Terra não É na Lua") são outros realizadores portugueses distinguidos em anos recentes no Festival de Locarno.