O filme "Roma", do cineasta Alfonso Cuarón, é o vencedor do Leão de Ouro da 75.ª edição do festival de cinema de Veneza, anunciou este sábado o júri da competição oficial, presidido por Guillermo del Toro.

Com produção da Netflix, "Roma" permite que uma plataforma de 'streaming' seja pela primeira vez distinguida num dos três principais festivais internacionais de cinema, a par dos de Cannes e de Berlim.

O Grande Prémio do Júri foi atribuído ao filme "The Favourite", de Yorgos Lanthimos, e o Leão de Prata de Melhor Realizador foi para Jacques Audiard, por "The Sisters Brothers", que adapta o livro "Os irmãos Sisters", de Patrick Dewitt, publicado em Portugal.

Os irmãos Ethan e Joel Coen receberam o prémio de Melhor Argumento por "The Ballad of Buster Scruggs"  ("A Balada de Buster Scruggs"), primeira minissérie dos cineastas, um 'western' em seis episódios que deverá estrear-se em outubro na plataforma Netflix, e que conta no elenco com nomes como Tim Blake Nelson, James Franco e Tom Waits.

O prémio de interpetração masculina foi atribuído ao ator norte-americano Willem Dafoe, por "At Eternity's Gate", de Julian Schnabel, e o prémio de melhor interpretação feminina foi para a britânica Olivia Coleman, no filme de Lanthimos, "The Favourite".

O Prémio Especial do Júri foi para "The Nightingale", da australiana Jennifer Kent, o único filme em competição realizado por uma mulher, disparidade assinalada numa carta aberta de profissionais à organização do festival, a exigir maior representação feminina no certame. O presidente do júri disse igualmente que a desigualdade de género no cinema, e na arte em geral, é um problema sério que deve ser resolvido.

O Prémio Marcello Mastroianni para melhor intérprete emergente foi para Baykali Ganambarr, por "The Nightingale".

Na secção Horizonte, o prémio de melhor filme foi para "Kraben rahu" ("Manta Ray"), de Phuttiphong Aroonpheng, e o de melhor realização, para Emir Baigazin, por "Ozen" ("The River").

Nesta secção, esteve a concurso o filme "Deslembro", da realizadora brasileira Flavia Castro.

O Leão de Ouro de carreira do festival de cinema de Veneza distinguiu a atriz britânica Vanessa Redgrave e o realizador canadiano David Cronenberg.

O 75.º Festival Internacional de Cinema de Veneza, que não contou com trabalhos portugueses, teve início a 29 de agosto, com a estreia de “O primeiro homem na Lua”, o novo filme de Damien Chazelle, o mais jovem realizador a receber um Óscar.

Este ano, o júri do festival, presidido pelo realizador mexicano Guillermo Del Toro, Leão de Ouro na edição passada com “A forma da água”, incluiu as atrizes Sylvia Chang, Trine Dyrholm, Nicole Garcia, Naomi Watts, os realizadores Paolo Genovese e Malgorzata Szumowska, o escritor Taika Waititi e o ator Christoph Waltz.

Fora de competição, foram exibidos o documentário "American Dharma", de Errol Morris, com o ex-assessor político de Donald Trump Steve Bannon, e o musical "A star is born", que assinala a estreia na realização do ator Bradley Cooper.

"El Pepe - Una vida suprema", de Emir Kusturica, sobre o antigo presidente do Uruguai José Mujica, exibido extra-competição, foi distinguido pelo Conselho Internacional de Cinema e Televisão da UNESCO, com um prémio paralelo à mostra de cinema.

"A letter to a friend in Gaza", de Amos Gitai, e "Monrovia, Indiana", de Frederick Wiseman, também foram mostrados em Veneza fora de competição, enquanto a Semana da Crítica, um dos eventos paralelos, incluiu as longas-metragens "A kasha", do sudanês Hajooj Kuka, "Adam und Evelyn", do alemão Andreas Goldstein, e o documentário "Lissa Ammetsajjel", de Saaed Al Batal e Ghiath Ayoub, dois estudantes que registaram os horrores do conflito na Síria, em particular na cidade de Duma.

O festival encerra este sábado à noite com a estreia mundial de “Driven”, de Nick Hamm.