“Os prémios escolhidos pelas pessoas brancas”. Foi assim que Chris Rock, o escolhido para a apresentação da 88ª cerimónia dos Óscares, se referiu aos prémios atribuídos pela Academia, num discurso marcado pela questões raciais que tanto agitaram a gala deste ano. 

Chris Rock não tinha como fugir ao tema e, por isso, atacou-o sem demoras logo nos primeiros minutos da gala: o facto de pelo segundo ano consecutivo não estar nenhum negro entre os nomeados para os Óscares. Isto porque nas semanas que antecederam a cerimónia o assunto fez correr muita tinta e houve mesmo quem tivesse recusado marcar presença na cerimónia, como o realizador Spike Lee - que até tinha sido nomeado para receber o Óscar Honorário - ou a atriz Jada Smith. Minutos antes, enquanto a passadeira vermelha abria, um pequeno grupo de manifestantes, convocados pelo reverendo e ativista Al Sharpton, protestava pela falta de diversidade dos nomeados.

“É Hollywood racista? Sim, Hollywood é racista. Hollywood é uma irmandade racista”, disse Chris Rock perante a plateia do Dolby Theatre. Boicote à cerimónia? Para Chris Rock, os atores negros apenas querem uma coisa: as mesmas oportunidades que os atores brancos.

“Queremos oportunidades – dêem aos atores negros as mesmas oportunidades que dão aos atores brancos. É isso. O Leo (Leonardo Dicaprio) tem um bom papel todos os anos. E o Jamie Foxx?”

O tema era sério, mas o tom político não dispensou o humor que habitualmente adorna os discursos dos entertainers da cerimónia. Piadas às quais, por exemplo, Jada Smith não escapou.

Chris Rock disse que nos anos 60 também não havia atores negros nomeados e que não havia protestos por causa disso. "Porque tinhamos coisas realmente importantes para revindicar", acrescentou.

O apresentado foi mais longe e disse que este ano as coisas iam ser diferentes: o memorial para assinalar as mortes que marcaram o ano na indústria cinematográfica seria apenas constituído por negros abatidos pela polícia.

"Este ano o 'Em memória' será só de pessoas negras que foram abatidas pela polícia. Pronto, disse-o."