Harvey Weinstein entrou, esta sexta-feira, pelo próprio pé, numa esquadra de polícia de Nova Iorque, onde era já esperado para responder pelas acusações de abuso sexual de que tem sido alvo nos últimos meses. Depois de ser identificado e acusado, o produtor - que negou ter cometido atos de sexo não consentido - saiu da prisão sob fiança de oito milhões de euros e com pulseira eletrónica.

De acordo com um comunicado do departamento da polícia de Nova Iorque, o produtor foi "detido, identificado e acusado de violação, ato de sexo criminal, abuso sexual, conduta sexual imprópria por incidentes que envolvem duas mulheres". 

Fontes ligadas à investigação, citadas pela Associated Press, afirmam que Weinstein um dos crimes sexuais, remonta a 2004. Trata-se da queixa apresentada por Lucia Evans, uma atriz estreante na altura, que afirma que o produtor a forçou a fazer-lhe sexo oral.

Além destes casos, Weinstein tem sido acusado por várias mulheres de abusos sexuais. As acusações ditaram o fim da carreira do outrora poderoso produtor de Hollywood e a falência da empresa que ele próprio tinha criado. Harvey Weinstein enfrenta acusações em Nova Iorque, em Los Angeles e em Londres.

As primeiras acusações de agressões sexuais e violações contra o produtor de 66 anos surgiram em outubro de 2017, no âmbito do movimento #MeToo, em Hollywood, que levou as suas vítimas a identificarem-se e a divulgarem publicamente os abusos de que tinham sido alvo.

No total, mais de uma centena de mulheres testemunhou que o produtor de Hollywood tinha abusado sexualmente delas.

O caso de Harvey Weinstein e as acusações que lhe têm sido feitas levaram atrizes e mulheres do mundo do espetáculo de todo o mundo a assumirem que foram assediadas sexualmente por homens poderosos do meio. O escândalo desencadeou a campanha #Time’sUp, que levou à queda de centenas de homens em lugares de poder de numerosos setores.

O último alvo destas acusações foi o ator Morgan Freeman. Esta quinta-feira, ficou a saber-se que o ator de 80 anos é acusado por oito mulheres

Em entrevista à CNN, uma das oito mulheres, uma jovem assistente que trabalhou com o ator, contou a sua história.

Segundo a jovem, que trabalhou com Morgan Freeman, em 2015, no filme "Going in Style" ("Ladrões Com Muito Estilo", em português), disse que aquele que pensava que ia ser um trabalho de sonho, acabou por ser uma tortura. 

De acordo com o seu testemunho, o ator de 80 terá tocado a assistente de produção de forma inapropriada e dito comentários sobre a roupa ou a sua aparência física. Numa dessas ocasiões, Freeman terá mesmo levantado a saia da jovem e perguntou-lhe se usava roupa interior.