O ator português Nuno Lopes foi distinguido pelo júri da secção "Orizzonti", do Festival Internacional de Cinema de Veneza, com o Prémio Especial de Melhor Ator, pelo seu desempenho no filme "São Jorge", de Marco Martins.

Nos agradecimentos, Nuno Lopes disse que os aplausos também deviam ser dirigidos ao realizador do filme, Marco Martins. Na sua página no Facebook, o ator português, que já protagonizara a longa-metragem "Alice", do cineasta, admitiu estar sem palavras.

 

A entrega dos prémios, que ainda decorre em Veneza, distinguiu, na secção "Orizzonti", a cineasta belga Fien Troch, como melhor realizadora, pelo filme "Home", e, como melhor filme, "Liberami", de Federica Di Giacomo.

O festival de cinema de Veneza termina com a entrega dos prémios, na cerimónia de encerramento, marcada para as 19:00 locais, e a exibição da nova versão de "Os sete magníficos", clássico dos 'westerns' de Hollywood.

A Filmes do Tejo II, produtora do filme "São Jorge", anunciou hoje que Nuno Lopes venceu o Prémio Especial de Melhor Actor pelo trabalho naquele filme, estreado na secção "Orizzonti", dedicada às "novas tendências do cinema mundial", no segundo dia do festival, a 31 de agosto.

"No filme, Nuno Lopes é Jorge, um boxeur desempregado que aceita trabalho noturno numa empresa de cobranças difíceis. Na preparação do papel, Nuno Lopes realizou trabalho de pesquisa em bairros sociais, no meio do boxe e no circuito de cobranças difíceis. O ator ganhou 20 quilos e submeteu-se a um programa de treino físico durante seis meses, chegando na fase de maior intensidade a treinar seis horas diárias de boxe e crossfit", descreve a produtora.

"São Jorge" assinala o regresso do realizador Marco Martins ao trabalho em cinema com o ator Nuno Lopes, numa parceria iniciada em "Alice", primeira longa-metragem do realizador, que trouxe a ambos reconhecimento internacional.

Leão de Ouro para realizador filipino Lav Diaz

O Leão de Ouro, prémio máximo do Festival Internacional de Cinema de Veneza, foi atribuído ao filme "The woman who left", do realizador filipino Lav Diaz, sobre uma mulher falsamente acusada por um crime.

Eu quero dedicar este filme ao povo filipino e à sua luta, à luta da humanidade", disse o realizador Lav Diaz, durante a cerimónia de encerramento do festival, depois de ter recebido o prémio.

Lav Diaz, que escreveu e dirigiu aquele que foi eleito melhor filme no 73.º Festival de Veneza, foi distinguido em fevereiro no festival de Berlim, com o prémio Alfred-Bauer da inovação, pelo filme "A Lullaby to the Sorrowful Mystery".

O Grande Prémio do Júri do Festival de Veneza foi para "Nocturnal animals", a segunda longa-metragem do estilista norte-ameticanode Tom Ford, um 'thriller' romântico sobre antigos amantes, com Amy Adams e Jake Gyllenhaal, que sucede a "Um Homem Singular", de 2009, protagonizado por Colin Firth.

O Leão de Prata, por melhor realização, foi atribuído a dois realizadores, o mexicano Amat Escalante, por "El región selvaje", sobre a vida sexual de uma criatura extraterrestre, e o veterano russo Andrei Konchalovsky, já antes distinguido no festival, por "Paradise", um drama sobre o Holocausto.

Konchalovsky, grande prémio do júri em Cannes, em 1979, por "Siberíada", já venceu o prémio especial do júri de Veneza, com "Dom durakov", em 2002, e esteve entre os principais candidatos ao prémio maior - o Leão de Ouro - por várias vezes, com filmes como "Os amantes de Maria" (1984) e "The postman's white nights" (2014).

O prémio de melhor ator foi atribuído ao argentino Oscar Martínez, protagonista de "El ciudadano ilustre", de Maria Eugenia Sueiro, pelo seu retrato de um prémio Nobel que regressa à sua aldeia, pela primeira vez em 40 anos.

O prémio de melhor atriz foi atribuído à norte-americana Emma Stone, pelo desempenho em "La La Land", comédia musical escrita e dirigida por Damien Chazelle, no qual se apaixona por um pianista de jazz, interpretado por Ryan Gosling.

Gostava de estar aí para ter a certeza que isto [o prémio] não é uma partida elaborada", disse Emma Stone, numa mensagem de vídeo, enviada ao festival.

O norte-americano Noah Oppenheim recebeu o prémio de melhor argumento, por "Jackie", do realizador chileno Pablo Larrain, com Natalie Portman no papel de Jacqueline Kennedy, viúva do presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy.

O realizador chileno Pablo Larrain disse que o triunfo foi todo de Natalie Portman, "a única mulher que podia ter interpretado este papel".

O prémio especial do júri foi para a realizadora norte-americana Ana Lily Amirpour, por "The Bad Batch".A entrega dos prémios, que decorreu em Veneza, distinguiu, na secção "Orizzonti", a cineasta belga Fien Troch, como melhor realizadora, pelo filme "Home", e, como melhor filme, "Liberami", de Federica Di Giacomo.

O júri do festival de Veneza foi presidido pelo realizador britânico Sam Mendes.