Cinquenta anos depois de ter sido Lawrence da Arábia, no filme homónimo de 1962, Peter O'Toole anunciou esta terça-feira que vai deixar o mundo do cinema, noticia a BBC News.
A reforma do ator inglês chega aos 79 anos de idade, numa altura em que O'Toole continuava bastante ativo, tendo participado em dois filmes estreados em 2012. Porém, Peter O'Toole confessou já não sentir a mesma paixão de outrora em fazer cinema.
«A paixão deixou-me e não vai voltar. Digo adeus à minha profissão sem choros e de forma profundamente grata», escreveu o ator num comunicado citado pela BBC News.
«A minha vida de ator profissional, no teatro e no cinema, deu-me o apoio do público, satisfação emocional e conforto material. Levou-me a conhecer boas pessoas, grandes companheiros com quem partilhei os inevitáveis insucessos e êxitos comuns a todos os atores. No entanto, acredito que cada um de nós tem o direito de decidir quando é tempo de terminar a sua estadia», afirmou.
Antes de ser ator, carreira que iniciou durante os anos 1950, Peter O'Toole foi jornalista e operador de rádio na Marinha Britânica. Após frequentar a Real Academia de Arte Dramática e de participar em várias peças de teatro, séries de televisão e pequenos filmes, foi aos 30 anos de idade que o ator saltou para a ribalta ao protagonizar «Lawrence da Arábia», de David Lean.
Vestindo a pele de T.E. Lawrence, O'Toole recebeu a primeira das oito nomeações aos Óscares. Um prémio que só lhe foi entregue em 2003, mas na categoria de Óscar Honorário, pela sua contribuição para o mundo do cinema. Inicialmente, o ator rejeitou a distinção, explicando que ainda estava em forma para ganhar um Óscar nas categorias em competição, mas acabou por aceitá-la.
«O Último Imperador», «O Leão no Inverno», «Becket», «Adeus, Mr. Chips», «The Ruling Class», «O Fugitivo», «My Favorite Year» e «Venus» foram outros dos filmes em que O'Toole se destacou ao longo da carreira.