O realizador chinês Wong Kar-wai, o cineasta tunisino Abdellatif Kechiche e o norte-americano James Gray estarão em Portugal em novembro, a convite do Lisbon & Estoril Film Festival, escreve a agência Lusa.

O festival decorrerá de 8 a 18 de novembro, em várias salas de Lisboa, Estoril e Cascais, contando na programação com muitos dos filmes que foram premiados nos principais festivais europeus e com uma série de eventos noutras áreas, nomeadamente na música e na literatura.

«É um ano absolutamente excecional em termos de cinema», disse o diretor do festival, Paulo Branco, na conferência de imprensa de apresentação, esta terça-feira, na qual estiveram ainda os presidentes das câmaras de Lisboa, António Costa, e de Cascais, Carlos Carreiras.

O júri do festival contará este ano com as presenças do músico norte-americano Arto Lindsay, da artista plástica francesa Dominique Gonzalez-Foerster, e do artista urbano português Alexandre Farto, conhecido como Vhils, que terá a obra em destaque nesta edição.

Dos filmes selecionados destacam-se «A Vida de Adèle», de Abdellatif Kechiche, Palma de Ouro em Cannes, «Sacri Gra», de Gianfranco Rosi (que também estará em Portugal), Leão de Ouro em Veneza, e «Història de Meva Mort», de Albert Serra, Leopardo de Ouro em Locarno, todos a exibir fora de competição.

A abertura do festival ficará por conta de «La Vénus à la Fourrure», de Roman Polanski, e «Inside Llewyn Davis», dos irmãos Joel e Ethan Coen, enquanto, no encerramento, estará o realizador norte-americano James Gray a apresentar o filme «The Immigrant», protagonizado por Marion Cotillard, Jeremy Renner e Joaquin Phoenix.

Este ano, o cinema português fica representado com uma retrospetiva integral dos filmes de Jorge Silva Melo e com a leitura de textos do realizador João César Monteiro, falecido há dez anos.

Paulo Branco justifica a ausência de estreias cinematográficas portuguesas no festival com a escassez ou indisponibilidade de produção inédita de longas-metragens, por já ter sido selecionada para outros festivais.

«Espero que, para o ano, haja dois ou três [filmes], porque não há o lado vitrine. O que passamos são escolhas de um comité e os filmes têm de ter alguma qualidade que nos permita defendê-los quando passam num festival. Os festivais devem servir os filmes e não os filmes servirem os festivais», disse Paulo Branco.

A lista de convidados incluirá ainda, por exemplo, o cineasta Alain Guiraudie, de quem será exibida uma retrospetiva, os realizadores Aleksandr Sokurov, Arnaud Desplechin e Roman Coppola, filho de Francis Ford Coppola, o ator Jason Schwartzman e a atriz e realizadora Fanny Ardant, que estreará «Cadências Obstinadas», filme que rodou em Portugal.

A par do cinema, o festival dedicou sempre parte da sua programação ao cruzamento da sétima arte com outras expressões artísticas.

É por isso que, este ano, volta a convocar algumas das personalidades que estiveram presentes em anos anteriores, como o escritor norte-americano Don DeLillo, que apresentará o livro «Libra», ficção que evoca acontecimentos e personagens ligados à morte de John Kennedy, e fará uma leitura de «Submundo», que envolve figuras que marcaram a história recente dos Estados Unidos, sendo ainda projetado um curto filme sobre o assassinato do antigo presidente dos Estados Unidos.

Regressam ainda o escritor norte-americano Paul Auster e o sul-africano J.M. Coetzee, que farão leitura de correspondência que têm trocado nos últimos anos. O ator francês Gérard Depardieu fará a leitura de «Confissões de Santo Agostinho».

Estão previstas ainda atuações das cantoras Sophie Auster e Yasmine Hamdan e do pianista Piotr Anderszewski.

Toda a programação está disponível em www.leffest.com.