2010 acaba bem para Johnny Depp. O actor está duplamente nomeado para o Globo de Ouro de melhor actor em comédia ou musical: concorre com o papel do chapeleiro louco na versão de Tim Burton para «Alice no país das maravilhas»; e concorre também com o papel de turista no filme com o mesmo nome a estrear já no início de Janeiro.

O jornalista Vítor Moura foi ver este último filme a Paris, em primeira-mão, e aproveitou para entrevistar Johnny Depp para o «Cinebox». Em «O Turista», o actor contracena com Angelina Jolie e desempenha o papel de professor de matemática, o que é muito diferente do carismático Jack Sparrow, dos filmes «Piratas nas Caraíbas». Reconhece, porém, que não se sente um menino de ouro.

«A primeira coisa para um actor, o que é muito importante, é abordar um personagem fazendo o melhor para não aborrecer o público, porque as pessoas que estão connosco ao longo de anos e anos merecem ter algo novo e diferente a partir disso, de cada vez. Foi isso que tentei fazer. Espero que resulte», começou por dizer.

Depp desempenhou várias personagens marcantes ao longo dos anos, mas não consegue escolher apenas um: «É muito difícil escolher. Adoro-os todos e todos têm um lugar especial em mim, literalmente. Sinto que o corpo é quase um móvel com gavetas e estas pessoas ainda vivem lá. O capitão Jack está muito à superfície, o Ed Wood ainda lá está, o Eduardo Mãos de Tesoura também».

Considerado por muitos o menino dourado de Hollywood, o actor diz não sentir-se assim. «Não há forma de pensar nisso em termos reais ou com algum tipo de pensamento sério, porque é um pouco ridículo. Ando nisto há muito tempo e tenho tido muita sorte por conseguir trabalhar tanto quanto tenho trabalhado, especialmente depois de ter sido veneno para as bilheteiras por uns bons dezassete anos. Lembro-me de, há muitos anos, estar na lista, mas também estive fora da lista. E isto acontece constantemente. A única coisa que podemos fazer é o nosso trabalho, fazê-lo com a melhor das nossas capacidades e não estar preocupado com o resultado. Isso não é da minha conta», frisou.