Estreia esta quinta-feira o documentário «Carlos do Carmo: Um homem no mundo», realizado por Ivan Dias. A primeira exibição estava prevista para dezembro do ano passado, mas segundo o representante da distribuidora cinematográfica NOS, Saul Rafael, foi adiada por «questões levantadas pela Sociedade Portuguesa de autores sobre direitos autorais». Em revista, estarão os 50 anos de carreira do cantor e intérprete.

«O Ivan quis oferecer-me este filme. Há ano e meio ele disse-me: ‘Vou fazer o filme da sua vida'. Andou atrás de mim, foi a Toronto, a Madrid, ao Brasil, e foi filmando, filmando e fazendo uma retrospetiva, e fez este documentário que é muito cheio de afetividade - o que ele tem sobretudo é afetividade»

Ivan Dias é o realizador daquele que diz ser « um filme de afetos, amizades, um filme de amor». Garante, em declarações à Lusa, que não foi fácil conseguir concretizar este projeto e que teve, inclusive, de «bater de porta em porta» para conseguir angariar os apoios financeiros necessários.

«Neste filme, e só para os amigos, Carlos do Carmo revela-se, o que me permitiu, como realizador, poder mostrar este mundo que ele não pôde mostrar ao grande público, e só mostrava aos amigos»


Segundo o cineasta, os espetadores poderão ver o cantor em terna idade «aos 11 anos a cantar, com uma voz de cana rachada, baiões de Luiz Gonzaga, mas já com toda a 'artistice', e depois percebemos como esse rapaz vai estudar para a Suíça, volta para Portugal, o pai morre, ele fica com a gestão da casa de fados [o Faia] nas mãos - casa que tinha a grande Lucília do Carmo à frente -, e é uma sucessão de coisas que lhe aconteceram, que, de certeza, ele não teria pensado, nem os pais tinham pensado para a vida dele. Ele é levado quase pelo ADN para cantar o fado».

Carlos do Carmo, embaixador da candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade, salientou ainda a importância deste tipo de documentários.

«É indispensável, para a memória do futuro, para as pessoas saberem quem nós éramos, ao que andávamos, como era o nosso feitio, e depois têm os discos para ouvir.»

De acordo com o site da distribuidora, o documentário estreia hoje em quatro salas de cinema: no centro comercial de Oeiras, em Lisboa, no centro comercial Dolce Vita, em Coimbra e no Porto e ainda no Almada Forum, em Almada.

Ivan Dias é, igualmente, o realizador do documentário sobre o viola baixo Joel Pina, que estreou o ano passado, e assina também a produção de «Fados», de Carlos Saura.