O advogado León Jurado denunciou que quatro políticos opositores venezuelanos, presos na cadeia de Ramo Verde, a sul de Caracas, foram espancados na noite de quinta-feira, durante uma rusga efetuada por funcionários dos serviços secretos militares .

Segundo o causídico, os agredidos são o ex-presidente do município de San Diego, Enzo Scarano, o comissário Salvatore Luchesse, o líder do partido opositor Vontade Popular, Leopoldo López, e o ex-presidente da câmara de San Cristóbal, Daniel Ceballos.

«O autarca Enzo Scarano nem sequer pôde levantar-se da cama e temos informação de que está totalmente roxo, devido aos hematomas. Ainda não sabemos se foram golpes com as mãos, com espingardas ou com qualquer outro objeto», denunciou.

O advogado explicou que durante a rusga foram confiscados os objetos pessoais daqueles presos e que eles agora estão isolados e impedidos de comunicarem os outros presos daquele cárcere militar.

A 20 de março deste ano, o presidente da Câmara Municipal de San Diego, Enzo Scarano, e o chefe da polícia regional Salvatore Lucchese Scaletta foram condenados pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) a dez meses e meio de prisão por não terem desmantelado as barricadas de manifestantes opositores do atual Governo, naquela localidade.

Segundo o STJ, os dois não cumpriram uma sentença daquele organismo, de 12 de fevereiro, que ordenava as ações necessárias para evitar a colocação de barricadas.

Por outro lado, a 25 de março, o STJ condenou o presidente da Câmara Municipal de San Cristóbal, Daniel Ceballos, a 12 meses de prisão por «desacato», ao «não cumprir» uma ordem judicial que o obrigava a desmantelar barricadas das manifestações na sua jurisdição.

Naquela prisão está também o opositor Leopoldo López, 42 anos, líder do Vontade Popular, um partido venezuelano de centro-esquerda, que a 18 de fevereiro se entregou voluntariamente às autoridades, que o acusam de «instigação pública, associação para cometer delito, danos à propriedade e incêndio».

Os delitos terão sido praticados em manifestações convocadas por Leopoldo López em fevereiro passado terminaram em atos de violência, incorrendo o dirigente partidário numa pena superior a 13 anos de prisão.