O Festival de Cinema de Cannes começa na quarta-feira em França ensombrado com alguma polémica por causa do filme de abertura, «Grace de Mónaco», de Olivier Dahan, sobre Grace Kelly, e que foi rejeitado pela família real monegasca.

A família da princesa Grace não deverá estar presente no festival nem tão pouco apoia a exibição do filme, argumentando que a história real foi adulterada para fins «puramente comerciais».

O filme, protagonizado por Nicole Kidman e que estreia em Portugal no dia 22, desenrola-se em 1962, tendo como pano de fundo as tensões entre França e o Principado do Mónaco.

Na competição, o festival conta este com filmes de Jean-Luc Godard, Mike Leigh, David Cronenberg, Ken Loach, Tommy Lee Jones e Olivier Assayas.

O realizador francês Jean-Luc Godard, de 83 anos, que nunca recebeu um prémio em Cannes, apesar de ter estado várias vezes nomeado para a Palma d¿Ouro, concorre este ano com o filme «Adieu au langage».

Destaque ainda para o filme «Saint Laurent», um «biopic» assinado por Bertrand Bonello sobre o designer de moda Yves Saint Laurent, falecido em 2008, poucos meses depois do Jalil Lespert ter exibido no festival de Berlim um filme biográfico sobre a mesma personalidade da moda.

Fora de competição, Cannes estreará a longa-metragem «Pontes de Sarajevo», composto por curtas-metragens de 13 realizadores europeus, entre os quais Teresa Villaverde, com o filme «Sara e sua mãe».

O filme tem como referência o assassinato do arquiduque da Áustria Francisco Fernando, um dos acontecimentos que desencadeou há cem anos a primeira Guerra Mundial.

Na secção «Un Certain Regard», serão mostradas algumas primeiras obras, entre as quais «Lost River», realizada pelo ator norte-americano Ryan Gosling, «La chambre bleue», de Mathieu Amalric, produzido por Paulo Branco, e "The salt of the earth", de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado.

O júri que atribuirá a Palma de Ouro será presidido pela realizadora neozelandesa Jane Campion.

Nos eventos paralelos de Cannes, na Quinzena de Realizadores, será exibida a curta-metragem «A caça revoluções», de Margarida Rêgo, uma animação experimental sobre fotografia (exibida em abril no IndieLisboa) que tem como mote a revolução de abril de 1974, a partir de uma fotografia tirada na época.

Para a Semana da Crítica - outro dos programas palalelos - foi selecionada a curta-metragem «Boa noite Cinderela», com a qual o realizador Carlos Conceição recupera o conto popular da Gata Borralheira, contando uma «versão mais carnal, mais materialista, menos romântica, onde é imprecisa a fronteira que separa o desejo de ter e de ser a dona do sapato».

«Boa noite Cinderela» conta com Joana de Verona, João Cajuda e David Cabecinha no elenco e foi exibido no festival IndieLisboa, recorda a Lusa.

O festival de Cannes termina no dia 25.