O realizador Nicolau Breyner vai iniciar a rodagem do filme «A Ilha», em São Tomé e Príncipe, no próximo dia 15, disse esta quarta-feira o ator e cineasta, num encontro com jornalistas, acrescentando que o enredo cruza atualidade e época colonial.

A obra, cuja produção tem a participação especial do autor são-tomense Ângelo Torres, conta com a calma e a beleza natural do arquipélago, as suas gentes e particularmente o verde exuberante das ilhas que, de acordo com o realizador, vão compor os cenários do filme.

«Esta magnífica terra pode ser um cenário ótimo. Pode-se fazer cinema aqui, pode-se granjear trabalho para estas ilhas. O trabalho de cinema é uma arte dignificante e pode dar emprego a muitas pessoas», disse Nicolau Breyner à imprensa, na capital são-tomense, como reporta a Lusa.

«Já fiz cá [em São Tomé] uma parte de um filme intitulado 'Cretcheu', tinha cá estado uma vez de férias e fiquei encantado com isto, é um caso de amor a primeira vista, adorei [São Tomé]», acrescentou.

Mais de 600 atores, técnicos e figurantes constituem a equipa de Nicolau Breyner que vai retratar, no filme «A Ilha», uma história que decorre durante a época colonial e a atualidade, contexto em que o realizador destaca a participação do autor são-tomense Ângelo Torres.

«É uma história que se passa em duas épocas diferentes - uma nos anos 40 e outra na atualidade. Por isso tínhamos de encontrar um autor [em São Tomé], que nos dê uma ajuda, daí o Ângelo Torres», disse Nicolau Breyner.

O filme retratará também «um caso de injustiça social», de acordo com o realizador português.

Nicolau Breyner falou das vantagens de rodar um filme em São Tomé e Príncipe, admitindo que, independentemente dos gastos que são feitos, a produção contribui para a projeção do país.

«O país vai ter as nossas estadias, o gasto diário da equipa - são 40 pessoas [permanentes] e vamos ter 600 figurantes e autores. Há também a notoriedade que [o filme] pode dar ao país», explicou.

Segundo Nicolau Breyner, entre os participantes do filme, 40 deslocaram-se de Portugal, país que, como afirmou, deu «total apoio e espantosa compreensão» ao projeto.

Nicolau Breyner destacou igualmente o «efetivo apoio» das autoridades são-tomenses, na resolução de questões burocráticas para a realização do filme.

Depois de concluir a rodagem de «A Ilha», Nicolau Breyner tem prevista uma nova produção para 2015, que deverá iniciar as filmagens no próximo mês de julho.