Uma semana de cinema, de 08 a 14 de setembro, com curtas e longas metragens a concurso, é a proposta do festival Figueira Film Art, apresentado esta quarta-feira na Figueira da Foz.

Promovido por uma associação sem fins lucrativos, o certame pretende «estabelecer uma ponte de ligação» com o antigo Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz (FICFF), que acabou em 2002, há 12 anos, disse hoje Luís Albuquerque, diretor geral do Figueira Film Art.

Todavia, mercê da atual conjuntura económico-financeira, o projeto do novo festival de cinema assume-se «inevitavelmente diferente» do FICFF - que era considerado o mais importante festival de cinema realizado em Portugal e privilegiava cinematografias de países diversos, geralmente pouco divulgadas no nosso país.

«O Festival Internacional de Cinema foi o baluarte dos festivais em Portugal. Qualquer comparação é um patamar muito elevado», assumiu Luís Albuquerque.

Já Luís Ferraz, outro dos elementos da organização, frisou que o novo certame pretende fazer esquecer o anterior.

«O objetivo é que, daqui por 20 anos, as pessoas já não se lembrem do Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz e só se lembrem do Film Art», sustentou.

A organização do Figueira Film Art quer «um festival mais jovem, centrado naturalmente no cinema independente e com uma aposta projetada a filmes e cineastas a convite, sem descurar a possibilidade de exibição de algumas ante-estreias».

A concurso estarão longas e curtas metragens, estas últimas divididas nas categorias de documentário, ficção e videoclip.

Por outro lado, o Figueira Film Art - cuja agenda e programação deverá ser conhecida dentro de cerca de dois meses, a 13 de junho - pretende possuir um tema «por cada noite do festival»: «Iremos dar devido destaque à importância do cinema documental/ambiental, independente, à contemporaneidade do cinema figueirense e, claro, uma leve intromissão pelo Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz, entre outros», explicou Luís Albuquerque.

As exibições de filmes estão previstas para sete salas: os dois auditórios do Centro de Artes e Espetáculos, o Museu Municipal Santos Rocha, o Núcleo Museológico do Sal, dois bares e uma associação cultural da cidade.

De acordo com Luís Albuquerque, a primeira edição do festival pretende «não só levar as pessoas ao cinema, mas também levar o cinema às pessoas», estando igualmente previstas exibições em coletividades de algumas das 14 freguesias do concelho da Figueira da Foz.

Já o Casino Figueira - que foi o palco principal das 31 edições do FICFF, entre 1972 e 2002 - receberá, a 13 de junho, um evento de gala, onde será homenageado Alberto Seixas Santos, um dos fundadores do Centro Português de Cinema, hoje anunciado como padrinho do Figueira Film Art.

A organização do certame pretende ainda promover colóquios, tertúlias e «workshops» e, na zona ribeirinha, em julho e agosto, um Cinema Drive In, que convida os espetadores a assistirem a filmes dentro do carro e terá a particularidade de o áudio ser transmitido na frequência da Foz do Mondego Rádio, em 99.1 FM.

Presente na sessão de hoje, o vereador com o pelouro da Cultura da autarquia da Figueira da Foz, António Tavares, saudou a iniciativa do Figueira Film Art, considerando «significativo» que ela parta da sociedade civil.

O autarca lembrou que a Câmara Municipal - que dá apoio logístico ao projeto - tentou fazer regressar à cidade um festival de cinema, ambição adiada devido a constrangimentos financeiros.