O documentário «Repare bem», que a atriz e realizadora portuguesa Maria de Medeiros rodou sobre os efeitos da ditadura militar no Brasil, vai competir no festival brasileiro de cinema Gramado. Começa esta sexta-feira na localidade brasileira com o mesmo nome.

O filme, que já foi exibido em 2012 na Mostra de Cinema de São Paulo, acompanha três gerações de mulheres que sofreram com a ditadura militar brasileira. Conta a história de Eduardo Collen Leite, militante da extrema-esquerda que foi preso e torturado até à morte em 1970, aos 25 anos, avança a Lusa.

No documentário, Maria de Medeiros regista os depoimentos da antiga companheira de Eduardo Leite, Denise Crispim, que foi perseguida no Brasil quando ainda estava grávida, e da filha de ambos, Eduarda. Há ainda a avó, Encarnación, com um testemunho através de cartas e fotografias.

Além do Brasil, a história passa ainda pelo Chile e pela Itália, países de exílio, e Holanda, atual país de residência de mãe e filha.

O documentário de Maria de Medeiros, uma coprodução entre vários países, foi um dos 19 projetos selecionados pela Comissão de Amnistia e Reparação, um organismo criado pelo Ministério da Justiça do Brasil, para «contribuírem com a recuperação de arquivos da época da ditadura militar», lê-se na sinopse.

«Repare bem» é um dos seis filmes candidatos a melhor longa-metragem estrangeira no festival que decorrerá de 9 a 17 de agosto.