A quarta temporada da série televisiva norte-americana «Homeland», em que as personagens Carrie Mathison e Peter Quinn, agentes secretos da CIA, lutam contra o terrorismo em Islamabad, capital do Paquistão, está a gerar controvérsia junto dos diplomatas do país.

Alguns paquistaneses mostraram o seu descontentamento perante o retrato anti-democrático e cúmplice de atos de terrorismo atribuído ao país.

«Difamar um país que tem sido um parceiro próximo e aliado dos Estados Unidos da América é um mau serviço não só para os interesses de segurança dos EUA, mas também para o povo norte-americano», afirmou Nadeem Hotiana, embaixador do Paquistão em Nova Iorque, em declarações ao jornal New York Post.

«'Homeland' faz parecer que o Paquistão despreza os americanos e os seus valores e princípios. Isso não é verdade», acrescentou.

Pelo contrário, de acordo com os diplomatas indignados com os episódios desta temporada, não só a agência de inteligência do Paquistão não protege «terroristas à custa de civis paquistaneses inocentes», como é insultuoso para os funcionários das forças de segurança que combatem o terrorismo.
 

Também o próprio local retratado é criticado, sendo frisado por Hotiana que a cidade não se assemelha ao cenário das gravações.

«Islamabad é uma cidade tranquila e pitoresca, com belas montanhas e vegetação exuberante», «em Homeland, porém, a cidade parece um buraco sujo, uma zona de guerra onde tiroteios e bombas explodem e cadáveres estão espalhados pelo chão. Nada poderia estar mais longe da verdade», comentou sublinhando que as cenas foram filmadas na Cidade do Cabo, na África do Sul.

Alguns paquistaneses também têm falhas a apontar ao urdu, considerando que, quando a  principal língua do país é utilizada na série, não só é percetível o sotaque estrangeiro, como algumas palavras são empregadas erradamente, deturpando o sentido.