Manoel de Oliveira morreu aos 106 anos. Ao que a TVI apurou a saúde do realizador português piorou nos últimos dias e o cineasta estava acamado com vigilância médica. Morreu como queria, a filmar até ao fim.

O cineasta português era o realizador mais velho do mundo em atividade, com 90 anos de carreira.

Com mais de 50 filmes realizados, era o único realizador ainda em atividade que tinha assistido à passagem do cinema mudo ao sonoro e do preto e branco à cor. 

O realizador nasceu na freguesia de Cedofeita na cidade do Porto a 11 de Dezembro de 1908 .
              O perfil do mestre do cinema português

A sua primeira obra foi um documentário sobre a faina no Rio Douro, «Douro, Faina Fluvial», rodado em 1931. Durante os primeiros anos de carreira filmou vários documentários e só em 1942 se aventurou na ficção com a adaptação ao cinema do conto «Os Meninos Milionários», de João Rodrigues de Freitas.

Em 1942 filmou «Aniki-Bobó» (1942), um filme que na altura não teve grande sucesso comercial, mas que, com o tempo, se tornou num dos filmes mais icónicos da sua obra.

Fazem parte da sua carreira obras como «Non, ou a Vã Glória de Mandar»,  «A Divina Comédia», «A Caixa», «Vale Abraão», «Inquietude», «O Princípio da Incerteza», «O Acto da Primavera», «O Estranho Caso de Angelica», «Singularidades de Uma Rapariga Loira» ou, mais recentemente, «O Gebo e a Sombra».

A sua última obra foi a curta-metragem «O Velho do Restelo», que estreou no dia em que completou 106 anos, a 11 de dezembro do ano passado.

Alguns dias antes, tinha sido distinguido com a Legião de Honra francesa, por uma carreira que o embaixador francês em Portugal, Jean-François Blarel, descreveu como «fora do comum», marcada por laços de amizade com aquele país. Em 1989 foi condecorado pelo então Presidente da República, Mário Soares, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique. 

O neto Ricardo Trêpa fez um testemunho emocionado ao avô, esta quinta-feira, à porta da igreja onde decorre o velório, dando conta que Manoel de Oliveira ainda «há 15 dias estava a filmar».

Muitos questionaram o segredo da sua longevidade. Para o cineasta, o cansaço só existia quando não trabalhava.


A morte do cineasta português levou o Governo a decretar dois dias de luto nacional e a cidade do Porto três dias pela morte de Manoel de Oliveira. 

As reações à morte do cineasta multiplicaram-se minutos depois de conhecida a fatalidade. Na TVI, o secretário de Estado da Cultura considerou que  Manoel de Oliveira é «um grande português» que merece ser sepultado no Panteão Nacional, em Lisboa. Numa reação à morte do cineasta, Jorge Barreto Xavier afirmou que o realizador é uma das das grandes figuras do século XX e que «já nos tinha habituado a ser sobrevivente». 

Pouco depois foi a vez de Cavaco Silva falar ao país, no Palácio de Belém, e dizer que este é um «momento de luto para a Cultura portuguesa».  Já Passos Coelho emitiu um comunicado afirmando que morreu «a figura decisiva do cinema português no século XX».

Já o ex-secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas lembrou na TVI24, que Manoel de Oliveira fez do cinema «uma das grandes fortunas deste país».

O funeral do cineasta Manoel de Oliveira realiza-se sexta-feira. As cerimónias fúnebres têm início às 15:00, na igreja de Cristo Rei, no Porto, estando o corpo a partir desta quinta-feira, às 18:00, no salão do Convento dos Padres Dominicanos.