O documentário biográfico de Manoel de Oliveira abre, esta terça-feira, a edição deste ano do Festival Internacional de Curtas-Metragens (FIKE), que se realiza em Évora, Beja e Portalegre e que conta com 48 filmes em competição.

"Visita ou memórias e confissões", que o realizador tinha estipulado que só seria divulgado após a sua morte, vai ser exibido, em "jeito de homenagem", no auditório da Universidade de Évora, após a cerimónia de abertura do evento.

Segundo a organização, o FIKE torna-se no "primeiro festival de cinema português e o segundo no mundo a exibir o filme" de Manoel de Oliveira, após a sua apresentação nas cidades do Porto e Lisboa e no Festival de Cannes, em França.

A película foi rodada em 1982, quando Manoel de Oliveira tinha 73 anos, na casa onde viveu cerca de quatro décadas com a mulher, os filhos e os netos.

Durante pouco mais de uma hora, o cineasta fala sobre os seus antepassados, aborda a relação com a morte e com o sofrimento, explica o fascínio pelas mulheres e recorda os dias que passou na prisão depois de ter sido detido e interrogado pela PIDE, nos anos 1960.

Manoel de Oliveira morreu a 02 de abril, no Porto, aos 106 anos.

A 13.ª edição do FIKE, cofinanciada por fundos comunitários, apresenta como novidades a sua realização no mês de junho, após decorrer durante vários anos em outubro, e, pela primeira vez, uma extensão em Portalegre.

O evento é promovido pela Sociedade Operária de Instrução e Recreio Joaquim António de Aguiar, associação "Lua aos Quadradinhos" e pelo Cineclube da Universidade de Évora, em parceria com as associações Estação Imagem e Lendias d'Encantar.

A fase de competição internacional do certame conta com 48 filmes, provenientes de 17 países, que vão concorrer nas categorias de ficção, documentário e animação.

Argentina, Israel, Austrália, Tunísia, Vietname, Cambodja, Rússia, Polónia, Eslováquia, Alemanha, Bélgica, França, Suécia, Suíça, Itália, Espanha e Portugal são os países de origem dos filmes que estão nas secções competitivas.

O júri oficial da edição deste ano do certame integra a atriz portuguesa Adelaide Teixeira, o diretor artístico do Sardinia Film Festival (SFF), o italiano Carlo Dessi, e o músico e compositor de bandas sonoras norte-americano Nik Phelps.

O prémio para o melhor documentário será votado pelo júri Estação Imagem e, como habitualmente, será atribuído o Prémio do Público, cujos jurados serão todos os espetadores presentes nas salas onde vão ser exibidos os filmes em concurso.

As sessões do FIKE realizam-se no auditório do Colégio do Espírito Santo, o principal edifício da Universidade de Évora, no Teatro Pax Julia, em Beja, e no Centro de Artes do Espetáculo de Portalegre (CAEP).