O realizador Gonçalo Tocha, com o filme «The Trail of a Tale», ganhou o 1.º lugar, na categoria de autores entre os 18 e os 35 anos, do Concurso Action4Climate, promovido pelo Banco Mundial.

O prémio tem o valor de 15.000 dólares norte-americanos, cerca de 12.000 euros. Segundo a mesma fonte, este é «um filme provocador» que resulta da «colaboração do realizador [português] com a iniciativa Imagine 2020 - Art and Climate Change», em cooperação com a New Economics Foundation.

«A sua história inspiradora gira à volta de uma carta escrita no futuro à sociedade atual», escreve o Banco Mundial.

Nesta mesma categoria foram premiados, com 10.000 dólares, cerca de 7.900 euros, Dobrin Kashavelov, da Bulgária, com «Global Warning», um «filme sufocante sobre os efeitos catastróficos do furacão Haiyen nas Filipinas», e o terceiro prémio, no valor de cinco mil dólares, perto de 4.000 euros, foi atribuído ao realizador norte-americano Nathan Dappen, pelo filme «Snows of the Nile», um documentário que «narra as aventuras de Nathan, no desvendar do desaparecimento acelerado dos glaciares do Uganda, conhecidos por montanhas da lua».

O comunicado do Banco Mundial cita o realizador português, que está «extremamente orgulhoso por ser o vencedor do Action4Climate», e acrescenta: «Espero sinceramente que o meu filme ajude a perceber que temos de agir agora, para proteger o nosso futuro».

Segundo a mesma fonte, ao galardão concorreram dez equipas de jovens realizadores, de outros tantos países, tendo apresentado «filmes extraordinários e de cariz único que inspiram o mundo a agir contra as alterações climáticas».

O realizador italiano Bernardo Bertolucci presidiu «um prestigiado júri de cineastas», nomeadamente Wim Wenders, Fernando Meirelles, Mira Nair, Atom Egoyan, Mika Kaurismaki e Walter Salles.

Na outra categoria a concurso, dos 14 aos 17 anos, o vencedor foi o filme «The Violin Player», uma «belíssima animação», resultado do «trabalho conjunto da jovem realizadora argentina Francina Ramos e do seu coprodutor e compositor Benjamin Braceras».

O segundo lugar foi atribuído ao suíço Constantin Huet, por «Facing the Flood», um «trabalho de investigação sobre as alterações vividas na Gronelândia e nas Maldivas».

Zura Tegerashivili arrecadou o 3.º prémio com «It’s Easy if You Try», que a organização qualifica de «extravagante».

«Todos os vencedores irão receber material vídeo e software de edição para ajudar no desenvolvimento do seu talento e motivar à criação de mais histórias dedicadas às alterações climáticas», afirma a instituição financeira.

Esta competição foi apresentada no início deste ano, no âmbito do programa global «Connect4Climate», cujo objetivo é abordar estratégias de comunicação sobre as alterações climáticas.

Bertolucci, citado pelo Banco Mundial afirma: «Fomos surpreendidos pela originalidade das histórias e pela preocupação genuína demonstrada por estes jovens realizadores, relativamente aos efeitos das alterações climáticas. Descreveram os efeitos das alterações climáticas sobre centenas de pontos de vista diferentes. Selecionar os vencedores foi quase uma tarefa impossível».

O certame distinguiu ainda, com os prémios especiais Connect4Climate, os filmes «Tinau», da realizadora Victoria Burns, do Kiribati, e «The Change», dos realizadores vietnamitas Ha Uyen, Huong Tra, Quang Dung e Quang Phuc.

O Prémio do Público, por votação online, foi para a curta-metragem «Pachamama», da autoria de uma equipa de jovens do Brasil.

No passado mês de maio, Gonçalo Tocha estreou, nas salas portuguesas, o documentário «A mãe e o mar», produzido no âmbito do programa de formação Estaleiro, do festival «Curtas» de Vila do Conde. O filme tinha sido escolhido para abrir o «Documentary Fortnight 2014», do Museu de Arte Moderna (MoMA), de Nova Iorque, em fevereiro.

«A mãe e o mar» surgiu depois de «Balaou», a primeira longa-metragem de Tocha, rodada em São Miguel, e da seguinte, «É na Terra não é na Lua», filmada na Ilha do Corvo.

«Balaou» venceu os prémios de Melhor Filme Português e Melhor Fotografia no IndieLisboa 2007. «É na Terra não é na Lua» teve estreia mundial no Festival de Locarno, em 2011, obtendo uma menção especial do júri.

O documentário sobre a ilha do Corvo foi igualmente distinguido no DocLisboa, nos festivais internacionais de Buenos Aires e de São Francisco, e na DocumentaMadrid.