O comediante norte-americano Bill Cosby não vai responder a acusações «duvidosas, de uma década atrás» de suposto abuso sexual. A afirmação foi feita no domingo pelo advogado de Cosby, após alegações recentes de que o artista, muito popular nos Estados Unidos, teria atacado sexualmente várias mulheres ao longo dos anos.

De acordo com a CNN, Bill Cosby fez as manchetes dos jornais, no sábado, sobre uma entrevista à National Public Radio (NPR), em que abanou a cabeça, em silêncio, quando lhe foi perguntado se gostaria de comentar as acusações de violação e abuso sexual apresentadas contra ele nas últimas semanas.

O ator foi convidado a participar do programa «Weekend Edition Saturday» para discutir as 62 peças que irá ceder para que sejam expostas no Museu de Arte Africano da instituição Smithsonian na capital dos EUA.

Mas quando o jornalista Scott Simon lhe perguntou sobre as acusações de abuso sexual, Cosby ficou em silêncio e fez sinal de negativo com a cabeça.

«Não me agrada esta pergunta, mas houve graves denúncias sobre o senhor nos últimos dias», disse o jornalista. «Há pessoas que gostariam de o ouvir sobre esse assunto. Quero dar-lhe a oportunidade», acrescentou Scott Simon perante o silêncio de Bill Cosby.

Em um comunicado publicado no site do comediante, o advogado John P. Schmitt anunciou que Cosby não fará comentários sobre a onda de acusações feitas contra ele.
 

«Ao longo das últimas semanas, afirmações duvidosas, de uma década atrás, contra o senhor Cosby voltaram à tona», destacou o advogado. 

«O facto de estarem a ser repetidas não as torna reais. O senhor Cosby não pretende engrandecer estas afirmações com qualquer comentário», prosseguiu. 

«Ele gostaria de agradecer a todos os fãs pelas manifestações de apoio e assegurar-lhes que, aos 77 anos, está a fazer o melhor trabalho. Não haverá qualquer comentário adicional do senhor Cosby ou de quaisquer dos seus representantes», concluiu.


Famoso por interpretar o patriarca de uma família de classe média afro-americana na série «The Cosby Show», exibido na NBC entre 1984 e 1992, Bill Cosby está sob fogo cerrado desde que o comediante Hannibal Buress o apelidou de «violador» durante um espetáculo de «stand-up», em outubro, em Filadélfia. 

   
Uma aparição prevista de Bill Cosby no programa «Late Show with David Letterman» da CBS, na próxima quarta-feira, foi misteriosamente cancelada e o artista viu-se confrontado com uma série de acusações, que acabaram por se tornar virais na Internet sob a forma de «memes». O porta-voz do comediante, David Brokaw, indicou que Cosby não participaria no programa como estava previsto, mas não indicou os motivos.

 
Há uma semana, o jornal «The Washington Post» publicou um relato detalhado da atriz Barbara Bowman sobre os supostos abusos que teria sofrido às mãos de Bill Cosby em 1985, em Nova Iorque, quando tinha 17 anos e tentava singrar na carreira. Bowman insistiu que nunca pediu ou recebeu dinheiro de Cosby.

 
A atriz contou que se ofereceu para testemunhar numa queixa em tribunal apresentada por uma mulher, que acusou Bill Cosby de a atacar sexualmente, e que acabou por ser negociada em 2006. De acordo com notícias publicadas nos EUA, no total, 13 mulheres que fizeram acusações similares contra o comediante também se ofereceram para testemunhar no caso.

O ator enfrentou outras acusações de violação ao longo da carreira, que negou sempre de forma taxativa, embora desta vez nem Bill Cosby e nem o agente se manifestaram sobre a história.