O filme «Até Amanhã, Camaradas», de Joaquim Leitão, baseado no romance homónimo de Álvaro Cunhal, tem antestreia esta terça-feira na Assembleia da República, dias antes de se assinalar o centenário do nascimento do antigo líder do PCP.

«É uma figura que merece ter um destaque num sítio que estivesse à altura», afirmou à agência Lusa o realizador.

Na sessão, no salão nobre da Assembleia da República, estarão presentes, entre outros, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, os deputados João Oliveira, António Filipe, o secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, Maria Eugénia Cunhal, Joaquim Leitão, o produtor Tino Navarro e os atores Cândido Ferreira, Nuno Nunes, Adriano Luz e São José Correia.

Joaquim Leitão voltou a pegar nas filmagens que tinham sido feitas há quase uma década, quando a série televisiva «Até Amanhã, Camaradas» teve estreia na SIC, em 2005.

Com argumento de Luís Filipe Rocha e produção de Tino Navarro, a série partiu do romance homónimo de Manuel Tiago, pseudónimo literário que Álvaro Cunhal só desvendou em 1994.

A obra, que gira em torno da vida do PCP nos anos 1950 e 1960, da clandestinidade, das lutas populares e da resistência ao regime fascista, foi publicada em 1974 pelas Edições Avante e Manuel Tiago era, então, um autor desconhecido.

Quando a série televisiva foi apresentada, em 2004, Joaquim Leitão afirmou que «Até Amanhã, Camaradas» era «uma história de amor e aventura, de militância, de dedicação de uma vida a lutar por aquilo em que se acredita, com um fundo histórico e político exaltante e de uma época da história pouco conhecida».

Hoje, passados estes anos, Joaquim Leitão é da opinião que a mensagem do romance ultrapassa o contexto histórico: «No fundo a mensagem é vale a pena lutar pelo que se acredita».

Depois da exibição no salão nobre da Assembleia da República, o filme terá estreia comercial na quinta-feira.

Com três horas de duração, o filme conta no elenco com mais de 130 atores, como Gonçalo Waddington, Leonor Seixas, Marco D'Almeida, Carla Chambel, Paulo Pires, Cândido Ferreira, Adriano Luz e São José Correia, além de alguns milhares de figurantes.

Joaquim Leitão afirmou que o filme não tem cenas inéditas por comparação com a série televisiva, mas «há uma montagem e organização das cenas diferente».

Autor de filmes como «Duma Vez Por Todas» (1986), «Uma Vida Normal» (1994), «Adão & Eva» (1995) e «A Esperança Está Onde Menos Se Espera» (2009), Joaquim Leitão terminou em outubro a rodagem de «Sei Lá», a partir do romance homónimo da escritora Margarida Rebelo Pinto.