Ícone do cinema francês, morreu esta segunda-feira a atriz Jeanne Moreau. Tinha 89 anos e foi encontrada morta em casa, em Paris.

Para além de atriz, Jeanne Moreau era também cantora e realizadora. Tinha uma voz que todos consideravam profunda e inconfundível, bem como uma sedução até perturbadora. De personalidade rebelde, fez escolhas ao longo de sua carreira que a levaram a ser uma das grabdes estrelas francesas e também no plano internacional.

No currículo, tem mais de 130 filmes, como a inesquecível interpretação de Whirlwind em Jules e Jim's. Ganhou o prémio de melhor atriz em Cannes, no ano de 1960, com Moderato Cantabile.  Foi também a única atriz a presidir por duas vezes o júri do festival, em 1975 e 1995.

A intérprete fascinou realizadores como Orson Welles (História Imortal), que a chegou a considerá-la a “melhor atriz do mundo”, Luis Buñuel (Diário de uma criada de quarto), Michelangelo Antonioni (A Noite) e Joseph Losey (Eva).

Moreau recebeu, em 1992, um prémio César de melhor atriz pelo desempenho em La vieille qui marchait dans la mer, de Laurent Heynemann.

Adorava ler. Tinha todos os livros de Walter Benjamin. Guillaume Apollinaire e James Joyce estavam, também, entre seus autores de mesa de cabeceira. 

"Eu sou uma leitora muito ávida, como todos autodidata. Fui proibida de ler em casa. O meu pai não aprovava, eu lia em segredo. Comprei velas muito baratos, que, sabemos, deixam as narinas todas pretas", contou em tempos, com sentido de humor, aqui citada pelo jornal francês Le Monde.

Nasceu a 23 de janeiro de 1928, em Paris, e passou parte da sua infância em Vichy, antes de regressar à capital francesa com a sua família. O seu pai tinha uma cervejaria e a sua mãe, de origem britânica, era bailarina.  

Jeanne Moreau desenvolveu uma paixão por teatro e estudou com Denis D'Inès, da comédia francesa. Fê-lo sem a aprovação do pai o que a levou a encontrar uma segunda família.

O Eliseu já emitiu um comunicado em homenagem à atriz agora falecida. "É uma das personalidades que por si só parecem resumir a sua arte. (...) Ddesaparece a artista que jogou no cinema em sua complexidade, a sua memória, a sua exigência".

O Presidente da República, Emmanuel Macron, e a sua esposa transmitiram as suas "sinceras condolências" à família e amigos de Jeanne Moreau.