O DocLisboa - Festival Internacional de Cinema regressa em outubro deste ano, em 12ª edição como «lugar para pensar o mundo», e levará o público a percorrer os novos realismos do cinema, da Inglaterra às Filipinas.

A programação, os novos espaços de exibição e parceiros foram hoje apresentados numa conferência de imprensa no Cinema São Jorge, em Lisboa, um dos centros de espetáculos da capital que vão receber o certame, entre 16 e 26 de outubro.

Contactada pela agência Lusa, Cíntia Gil, um dos membros da direção do festival, salientou que o DocLisboa se tem afirmado cada vez mais como "um lugar para pensar o mundo, dialogando com os filmes" que exibe.

«Pensar o lugar do cinema e os códigos do cinema a partir de cada época, região e cineasta; explorar as fronteiras do documentário e as estratégias do documentário, vão ser questões fortes este ano», salientou a responsável numa conversa telefónica sobre a programação.

Nesta edição estarão em foco o realizador holandês Johan Van Der Keuken, e o neorrealismo e novos realismos, com retrospetivas.

Eleger o trabalho de Van Der Keuken «era um projeto já com algum tempo e decidiu-se fazer este ano, devido ao interesse do trabalho dele enquanto questionamento sobre o lugar do artista e do cineasta no mundo». «Ele tem um olhar local, e global, que se cruzam».

Salientou ainda o "carácter profundamente político e o trabalho sobre a linguagem artística muito interessante, ligando o cinema, a fotografia e a música", que o coloca na lista de autores fundamentais na perspetiva do DocLisboa para entender a história do documentário.

Quanto à retrospetiva do neorrealismo e novos realismos, a organização decidiu «pegar no período muito curto e particular da História do Cinema Italiano, com o exemplo do filme coletivo L¿Amor in Cittá, em que vários cineastas questionaram os códigos cinematográficos a partir dos códigos populares».

Este tema remete também para «momentos das histórias das cinematografias de vários lugares em que, de alguma forma, as circunstâncias políticas e sociais se encontraram com novos realizadores que estavam a aparecer, e que questionaram o que poderia ser o novo realismo no cinema».

Inglaterra, China, Filipinas, Irão serão alguns dos lugares que vão apresentar «um olhar sobre o real» e refletir «uma construção poética permanente».

Ainda a desenhar a programação e seleção para competição até outubro, quando estará totalmente finalizada, o certame já tem os seus destinos de exibição: continuará a estar presente na Culturgest, no Cinema São Jorge, na Cinemateca e no Fórum Municipal Romeu Correia (Almada).

Contará ainda com dois novos espaços de exibição: o Cinema Ideal situado junto ao Largo de Camões no Bairro Alto, com abertura prevista para agosto, e o Cinema City Campo Pequeno.

«Estar em dois espaços novos vai-nos permitir fazer um trabalho sobre a geografia do festival e evidenciar uma característica do DocLisboa que talvez seja única nele: aglomera públicos muito diferentes, sempre comunicantes, numa programação coerente e muito abrangente», apontou Cíntia Gil à Lusa.

A organização pretende criar percursos e identidades entre os vários espaços, que serão ligados através de diálogos próprios.

Sobre a evolução do público ao longo das últimas edições, Cíntia Gil indicou que 2010 foi o ano de mais afluência, quando o festival também foi maior em programação, reduzindo-se a partir daí até chegar a cerca de 25 mil espetadores em 2013, «também em consequência da crise».

«Não nos interessa crescer muito. Sabemos que temos um público muito ativo e crítico. O DocLisboa, ao fim de 12 edições, tem claramente o seu lugar, mesmo tendo surgido muitos outros festivais de cinema» no país, como conta a Lusa.

A organização do Doclisboa anunciou que serão exibidas este ano retrospetivas do realizador holandês Johan Van Der Keuken, do neorrealismo e novos realismos, entre 16 e 26 de outubro, em Lisboa e Almada.