O accionista da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) Almiro Silva afirmou esta quinta-feira que só em 2007 os accionistas tiveram conhecimento de «coisas que não estavam bem» e que sempre tiveram «muita falta de informação» sobre os negócios do grupo.

«Sempre tivemos muita falta de informação. Se soubéssemos só cinco por cento do que estamos aqui a falar, não estaríamos aqui hoje», afirmou o accionista aos deputados da Comissão de Inquérito à Nacionalização do BPN e supervisão.

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Segundo Almiro Silva, um conjunto de dez accionistas terá tido uma reunião com Oliveira e Costa, onde expressou a vontade de mudar a liderança do grupo, devido à concentração das decisões em apenas uma pessoa, explicando que a sua grande preocupação era a «falta de informação».

«O Doutor Oliveira e Costa já tinha terminado o seu mandato de oito anos e eram precisas novas pessoas. Aquilo estava muito concentrado numa pessoa e nós queríamos alterar essa situação. Nós, os accionistas», afirmou à Comissão de Inquérito. «Era a falta de informação que nos preocupava».

Oliveira e Costa «mandava em tudo»

O accionista afirmou ainda que o ex-presidente da SLN, Oliveira e Costa, «é que mandava em tudo» e caso os accionistas o questionassem sobre os negócios, este «vingava-se».

«Se algum accionista fosse fazer essas perguntas, as coisas corriam mal porque o Doutor Oliveira e Costa vingava-se», disse, acrescentando que ele «é que mandava em tudo» e que «era uma pessoa muito fechada».

Terá sido então que foi colocada a hipótese de Francisco Sanches passar a presidir o grupo, o que não se concretizou e cujos contornos do afastamento, o accionista não explicou, afirmando no entanto que convidou, em concordância com restantes accionistas, Abdool Vakil para presidir transitoriamente à SLN.

«O Doutor Vakil foi convidado para o período entre 20 de Fevereiro e a Assembleia-Geral», disse, explicando ainda que as indicações dadas a Abdool Vakil sobre o não levantamento de auditorias aos negócios do grupo se explicam por este ser apenas nomeado para um período transitório.

«Os accionistas pretendiam alguém de fora para orientar o grupo», disse Almiro Silva, afirmando que não lhe «parecia mal» que este continuasse mas que não se opôs ao seu afastamento.