À semelhança do que acontece com PSD, PS e CDS, também PCP e Bloco de Esquerda estiveram reunidos esta sexta-feira para conversarem sobre um compromisso de salvação nacional.

Este encontro surge na sequência das propostas apresentadas pelos dois partidos, para que se procurem convergências que conduzam a uma política alternativa.

No final do encontro, foi deixada a garantia de que há muitos pontos em comum, mas também muitas criticas ao PS.

«O PS atualizou a sua assinatura, o seu compromisso e o seu comprometimento com esse pacto de agressão, com esta política de direita. Não sei qual vai ser o desfecho destas negociações, mas esse posicionamento levou a que abdicasse da sua exigência de demissão do Governo, de eleições antecipadas com data e tudo», recorda Jerónimo de Sousa, do PCP.

«Num momento complicado que Portugal está a viver, não precisa desta instabilidade de negociações para ressuscitar um morto. Portugal precisa é da estabilidade, da legitimidade, da confiança, que pode dar a assunção do que aconteceu, que o programa do Governo falhou, a coligação desfez-se, por isso este Governo não tem condições para prosseguir, por isso precisamos de eleições», frisou Catarina Martins, do Bloco de Esquerda.

«A convergência de que falamos é uma convergência política. Cada partido tem o seu espaço de intervenção, ação e mobilização. Com essa quota de responsabilidade, vamos voltar-nos a encontrar no futuro para essa convergência e materializá-la. Cada partido agirá por si porque convergência não significa coligação», disse o secretário-geral comunista, numa visita inédita à sede bloquista.

A coordenadora do BE sublinhou tratarem-se de «partidos diferentes que têm identidades próprias, públicas e reconhecidas», embora concordando na urgência da demissão do Governo, dissolução da Assembleia da República e convocação de eleições legislativas antecipadas.

Catarina Martins alertou para o facto de a atual política, protagonizada por sociais-democratas e democratas-cristãos, «que tem destruído o país», quanto «mais dias se arrasta são mais dias de pântano».

«No momento complicado que Portugal está a viver não precisa desta instabilidade de negociações para ressuscitar um (Governo) morto. Precisa da estabilidade, legitimidade, confiança que pode dar a assunção daquilo que aconteceu: o programa de Governo falhou, a coligação desfez-se e não tem condições para prosseguir e o de que precisamos é de eleições», concluiu.