O PS questionou esta quinta-feira o Governo sobre a situação dos emigrantes lesados com papel comercial do Grupo Espírito Santo. Os socialistas advertem ainda para a "desconfiança" destas pessoas no sistema financeiro de Portugal.

Segundo várias notícias, diz o texto do PS endereçado à ministra das Finanças, o Novo Banco terá apresentado aos emigrantes portugueses que investiram em produtos de poupança do BES "soluções que lhes permitam recuperar o capital aplicado" mas, "aparentemente, essas soluções não pressupõem o reembolso da totalidade do capital investido e têm subjacentes condições complexas que prejudicam o ressarcimento dos lesados".

Os deputados socialistas Paulo Pisco e Pedro Nuno Santos, que assinam a missiva, solicitam ao Banco de Portugal, através de Maria Luís Albuquerque, vários esclarecimentos, nomeadamente se a entidade "admite, em alguma situação", que os emigrantes titulares dos produtos de poupança "possam não vir a receber" o seu dinheiro.

"Que soluções de reembolso foram apresentadas aos titulares destas contas? Qual é o limite mínimo de titulares destas contas necessário para que a solução apresentada pelo Banco de Portugal se concretize? É 50% do total?", interrogam os parlamentares, segundo a Lusa.

Entre os emigrantes lesados, frisa o PS, "reina um sentimento de revolta e de desconfiança no sistema financeiro português, bem como nas instituições que têm como missão assegurar o seu bom funcionamento".

"A confiança no sistema bancário português, nomeadamente por parte dos cidadãos portugueses que estão emigrados, dependerá da forma como se responderá a este problema".


Na segunda-feira teve lugar um protesto em Lisboa que reuniu cerca de 500 lesados do BES, muitos dos quais emigrantes.

Os manifestantes estiveram concentrados junto à sede do Novo Banco, na Avenida da Liberdade, reivindicando o reembolso do dinheiro investido.

São cerca de 2.500 os clientes do Novo Banco que adquiriram papel comercial do GES aos balcões do BES no montante total de 527 milhões de euros que ainda não foram reembolsados.

Ao longo dos últimos meses têm sido várias as manifestações de protesto em várias cidades do país.