Aimar
A bola parece entender-se melhor com aquele pé direito, percebendo antecipadamente para onde ir de forma a acompanhar as movimentações do argentino. Voltou às exibições cativantes, altivas, justificando o seu estatuto de fora da série. Baixou ligeiramente a linha do seu jogo, face à presença de Reyes e Di Maria nos flancos do ataque, logrando reforçar a influência na construção das jogadas ofensivas do Benfica. Caiu de produção na etapa complementar, passando pelo lado esquerdo e terminando ao lado de Katsouranis, quando Carlos Martins se lesionou.
Cardozo
A lesão de Suazo alargou o caminho para o seu regresso à titularidade. O golo tardio no clássico do Estádio de Alvalade reforçava os argumentos a seu favor. Cardozo esforçou-se, procurou entrosar-se com um estilo de futebol pouco condizente com as suas características naturais e, quando parecia conformado com uma noite infeliz, foi ao flanco direito desequilibrar. Tocou contra Élvis, correu para a linha de fundo e cruzou. Com o pé direito. Sim, esse mesmo. A bola saiu com peso e medida para a cabeça de Nuno Gomes, para o segundo golo do Benfica. Seguiu-se a ansiedade.
Maxi Pereira
Começam a esgotar-se os elogios para descrever o lateral, sendo importante, antes de mais, explicar que não era lateral de raiz. Compensa todas e quaisquer limitações com uma entrega ao jogo notável. Faz aquele corredor com uma frescura física assinalável, pecando apenas nos cruzamentos em corrida. Depois de percorrer tanto metro, o discernimento não é o melhor. Percebe-se.
Elvis
O central brasileiro chegou ao Leixões em 2004, então para o segundo escalão, e foi criando raízes no onze. Seguro, combativo e capaz de comandar o sector, Elvis virou patrão da formação de Matosinhos. Faltava-lhe, com época e meia na primeira divisão, o golo para o currículo. Teve azar. Após cruzamento de Reyes na esquerda, com Cardozo nas costas, esticou a perna e acabou por marcar na própria baliza. Acusou demasiado esse lance, manchando a exibição. Ainda na primeira parte, escapou após entrada dura sobre Di Maria. Nem falta foi assinalada.
Nuno Gomes
Entrada à matador e um cabeceamento de belo efeito, justificando a aposta de Quique Flores. Festejos intensos com os adeptos encarnados, numa relação de harmonia que reforça a hipótese de renovação a breve prazo.
Rodrigo Silva
Tem jeito de ponta-de-lança e saltou do bando de suplentes após o primeiro golo do Benfica. Moeu o juízo e Luisão e Miguel Vitor, afirmando-se como referência ofensiva do Leixões. Recebeu o prémio na etapa complementar, marcando em posição favorável, já no coração da área.
David Luiz
Quique Flores deixou Sidnei de fora mas manteve a confiança em David Luiz, mesmo como lateral esquerdo. Aposta de risco. O treinador espanhol quis manifestar toda a confiança em David Luiz mas colocou o jogador em posição desconfortável. Com nova exibição medíocre, o brasileiro seria crucificado publicamente. Safou-se. Peca por excesso de confiança e sentiu dificuldades com a entrada de Sony, mas no geral, exibição positiva.